Candidatos do Concurso da Polícia Militar do Paraná que fizeram a prova em Curitiba e foram reprovados na avaliação psicológica reclamam dos critérios adotados pela organização do exame e do tempo necessário para realização das questões. Quase 40% daqueles que passaram pelo exame de capacidade física (Ecafi) não atingiram o percentual mínimo na fase seguinte, a avaliação psicológica, de caráter eliminatório. Entre os reprovados, estão pessoas que já passaram pelo Exército. De acordo com o edital lançado em 2012, os candidatos podem recorrer do resultado.

O concurso, considerado o maior da história do Paraná, visa ao preenchimento de 5.264 vagas (4.445 para policiais militares e 819 para bombeiros militares). Ao todo, foram 123.943 inscrições validadas, contra 80 mil do último concurso. A taxa de inscrição era R$ 85,50. Desde o início, o processo seletivo gerou polêmica, quando foram aplicadas as provas de conhecimento em fevereiro em 16 cidades do Estado. Candidatos a bombeiros que fizeram provas em Maringá, Londrina e Cascavel recorreram e tiveram parte das questões anuladas pela organizadora do certame, a Fundação de Apoio à Faculdade Estadual de Paranavaí (Fafipa), depois da constatação de erros e conteúdo cobrado que não constava no edital.

Psicológico

Pelas redes sociais, os candidatos reprovados na avaliação psicológica demonstraram indignação com o resultado do teste. Muitos deles enviaram emails ao deputado Mauro Moraes. Segundo ele, 37% dos que passaram pelo exame físico reprovaram no teste. “É inacreditável e inaceitável que um candidato, após obter êxito em etapas anteriores, seja barrado por um teste que, até o momento, parece ter adotado critérios estranhos para a avaliação psicológica dos candidatos”, lamentou Moraes em seu site. O deputado preside a comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa e pretende levar pessoalmente o temo ao governador Beto Richa.

Ontem, debaixo de chuva, candidatos inaptos compareceram à chamada entrevista devolutiva que, conforme o edital, dá a chance de o candidato saber os motivos pelos quais não está apto mentalmente a vestir a farda da PM. Os reprovados poderiam ir acompanhados de psicólogo registrado no Conselho Regional de Psicologia.

Critério estranhos de avaliação

Conforme o anexo VII, do Edital 1.107/2012, a avaliação tinha o objetivo de selecionar candidatos com características intelectivas, motivacionais e de personalidade compatíveis com a multiplicidade, periculosidade e sociabilidade inerentes às diversas funções institucionais, além do porte de arma de fogo. Os testes são autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Entre as 21 características avaliadas estão controle emocional, impulsividade, memória, agressividade, sociabilidade. Aqueles que não atingiram mínimo de 50% nos testes objetivos (habilidades mentais) e/ou demonstraram características de personalidade incompatíveis foram considerados inaptos.

Um estudante carioca, de 25 anos, que preferiu não se identificar, descobriu ontem, na entrevista, que não atingiu os pontos necessários no quesito “raciocínio espacial”, ou seja, ele não tinha a capacidade de visualização. “O índice de reprovação no psicotécnico está beirando os 40%, sendo que normalmente fica em torno de 5%”, disse o estudante, que se inscreveu para uma vaga de policial e viajou várias vezes do Rio de Janeiro a Curitiba, para realizar todas as etapas do concurso.

Após ser reprovado no exame psicológico, o rapaz, que já passou pelo Exército, pretende entrar com recurso. “Pelo que percebi, a maioria foi reprovada no teste de figuras espaciais, que foi bem complicado. Na minha prova, tinha de analisar uma figura quebrada e escolher qual o pedaço ao lado a constituía. ,Não acho que isso seja fator determinante para ser policial”, disse o candidato.

Já uma estudante, de 19 anos, que também não quis se identificar, não demonstrou fluência verbal adequada (capacidade de se comunicar de forma compreensível e agradável, conforme o edital). “Esse processo foi muito rigoroso. No concurso passado, apenas 15 ou 20 reprovaram, desta vez foram quase 700. Eu foi reprovada no teste que pediram para colocar todas as palavras que eu lembrava terminadas em “tar”. Tinha apenas um minuto para escrever”, lamenta.