A Delegacia de Almirante Tamandaré já tem confirmações técnicas sobre a autoria da chacina que ocorreu no município, em 12 de novembro do ano passado, e vitimou fatalmente duas pessoas e feriu outras duas, da mesma família. O resultado do exame de balística confirmou que os projéteis, encontrados na cena do crime, saíram das armas recolhidas com os três adolescentes suspeitos da chacina, detidos seis dias após o fato.

Os garotos foram autuados na época apenas por porte ilegal de arma e por tráfico de drogas, visto que cada um tinha seu próprio revólver ou pistola e também grande quantidade de maconha e crack nos bolsos. Apesar do reconhecimento por parte de uma das sobreviventes, a delegacia buscava por mais provas do envolvimento deles na chacina para autuá-los pelo crime. E em face da gravidade do que os garotos estão sendo acusados, eles ainda permanecem apreendidos na Delegacia do Adolescente, em Curitiba.

Os jovens confessaram que receberiam R$ 500 pelas mortes. O mandante do crime, segundo o investigador Hussein, seria um vizinho da família chamado Hélio, e o motivo um desentendimento entre os vizinhos. Porém essa autoria ainda não está confirmada pela polícia. Hussein apenas conta que, há algumas semanas, a avó do bebê morto na chacina ligou à delegacia, lendo uma carta supostamente escrita por Hélio, em que ele pedia desculpas à família pelo mal que causou.

Chacina

Na madrugada do dia 12 de novembro último, um sábado, um trio encapuzado invadiu a casa na Rua Campo Largo, Jardim Roma, em Almirante Tamandaré, procurando por Anderson Alves, 18 anos. Na sala da residência, sem poder identificar qual das pessoas deitadas sobre o colchão era Anderson, devido a escuridão, passaram a dar tiros e facadas nos três moradores que dormiam naquele cômodo. Anderson e a pequena Gabrielle Stefane Pegoraro

dos Santos, de um ano e sete meses, morreram com a investida dos bandidos. A namorada de Anderson, de 17 anos, e mãe de Gabrielle, foi levada em estado grave ao hospital, e permanecia internada com uma bala alojada na cabeça. Na semana passada, seria submetida a uma cirurgia. Ouvindo a confusão, Dircelene Alves, 41 anos, mãe de Anderson, que estava em um quarto ao lado, foi em defesa dos familiares e também foi ferida com tiros e facadas. A filha de Dircelene somente não foi ferida porque a mãe a abraçou e a protegeu das agressões.

Acusados foram pegos com drogas

Os garotos foram apreendidos, inicialmente, por causa das drogas que tinham consigo. Porém quando caminhavam pela rua, junto com os policiais, até a delegacia, foram reconhecidos por um parente da vítima, que observou os tênis que os meninos usavam. Esse parente lembrou-se do relato de uma das sobreviventes, de que dois dos bandidos usavam tênis iguais no dia do crime. E as características descritas pela vítima eram as mesmas dos sapatos dos garotos que andavam na rua com os policiais. Feito o reconhecimento oficial, a delegacia local encaminhou os tênis e a camiseta de um dos jovens para exames, que constataram sangue nas vestimentas.