Depois de 20 anos, a agonia da família de Leandro Correia terminou, com a confirmação de sua morte, porém o mistério permanece. O garoto sumiu em 22 de maio de 1990 na cidade de Roncador, próximo a Campo Mourão, quando tinha 3 anos de idade. No mês passado, um exame de DNA confirmou que um pedaço de osso encontrado próximo ao local do desaparecimento era o do menino.

Algum tempo depois do sumiço, a polícia encontrou o pedaço de crânio próximo à Fazenda São Jorge, onde a criança foi vista pela última vez. O material foi submetido a exames periciais, mas que na época não foram conclusivos e resultaram no arquivamento do caso, em 1994.

Em 1997, foi criado o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) e em 2008 a delegada Ana Cláudia Machado assumiu a delegacia, determinando que fosse feito o exame de DNA na ossada, que ainda estava guardada.

A perícia foi solicitado em março de 2008 ao Instituto de Criminalística, mas somente em outubro daquele ano é que foi possível reunir todo o material necessários para a averiguação.

Pela dificuldade de se trabalhar um material tão antigo, o exame levou um ano e meio para ficar pronto, mas confirmou que o crânio era de Leandro. A família foi comunicada do resultado, mas a mãe de Leandro, contou à delegada que ainda não acredita na morte do filho.

Lavoura

Naquele maio de 1990, Leandro estava na lavoura com a mãe, Djanira dos Santos Correia, e com o padrasto, Pedro Alexandre, quando sumiu. Apesar de o inquérito ter sido arquivado pela Justiça em 1994, a polícia continuou investigando o caso. Ana Cláudia explicou que, se for solicitado pela Justiça, o caso será reaberto para se apurar as causas da morte da criança e as circunstâncias de seu sumiço.

De acordo com Ana Cláudia, dos 1.176 casos de crianças desaparecidas registrados pelo Sicride, 1.166 foram solucionados, ou seja, 99% dos inquéritos. 70% deles são de crianças que fugiram de casa e os outros 30% são homicídios, sequestros e sonegação de incapaz (confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum menor de 18 anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem legitimamente o reclame).

O Sicride ainda tem 23 casos sem solução, dez dos inquéritos que registrou desde a criação do serviço e outros 13 casos antigos. Destes 13, um pode estar em vias de ser desvendado, pois também está na dependência de um exame pericial.