A violência na Vila Nossa Senhora da Luz, CIC, fez mais uma vítima. O contabilista João Felipe Pereira Dozores, 19 anos, foi morto com um tiro no pescoço, quando esperava um sanduíche dentro de uma lanchonete na Rua Guilherme Fugmann, às 23h20 de sábado. O tiro teria sido disparado por um indivíduo que João socorrera há algum tempo atrás.

Testemunhas contaram que o assassino estava sentado no banco do passageiro, de uma Caravan prata e com o carro em movimento fazia disparava a esmo, espalhando o terror entre os moradores da região. Depois de atirar, acertando além de João, muros e paredes de residências, ele ainda teria encostado a arma na cabeça de um rapaz, que estava na rua. O homicida foi identificado apenas como “Nino”, conhecido por amedrontar e ameaçar as pessoas que tentam levar uma vida normal na Vila Nossa Senhora da Luz. Segundo comentários, “Nino” seria responsável por outros homicídios no bairro.

Apesar da quantidade de pessoas que estavam na lanchonete, João foi o único baleado. O jovem foi levado ao Hospital do Trabalhador, mas chegou sem vida.

Revolta

João trabalhava de segunda a sexta-feira, no Pilarzinho, e para isso acordava cedo e atravessava a cidade, conforme relatou o pai dele, Sérgio Roberto Dozores, 43. “Ele trabalhava muito e tinha o direito de se divertir no sábado à noite”, protestava. Sérgio foi informado que, há alguns meses, “Nino” teria sido baleado com vários tiros e João o socorrera.

A revolta de Sérgio ia além da perda do filho. Morador naquela vila, ele reclamava da falta de segurança e da inoperância das autoridades de segurança. “Estamos nas mãos dos bandidos”, indignava-se. “A única coisa que peço, agora, é justiça”, concluiu.

Aquela região é conhecida principalmente pelo grande número de traficantes e toda a violência produzida pelo tráfico de drogas. “Lutei contra a ditadura, mas agora não sei se não era melhor naquela época. As pessoas não sabem viver em democracia”, comentou Sérgio, acrescentando expressões de decepção com os atuais governantes.