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Jairton não diz "coisa com coisa".

Empenhado em pôr fim à dúvida que paira quanto à autoria de Jairton Cardoso, 32 anos, do duplo homicídio, o delegado Messias Antônio Rosa do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), submeterá o acusado a uma avaliação psicológica. Hoje pela manhã, Jairton terá um primeiro contato com o médico psiquiatra e chefe do Laboratório de Hipnose Forense do Instituto de Criminalística, perito Rui Fernando Cruz Sampaio.

De acordo com o delegado, o estado psicológico de Jairton é visivelmente perturbado. Em certos momentos ele confessa os crimes, em outros os nega, às vezes faz menção de querer contar alguma coisa, depois prefere manter-se em silêncio. Em meio a esta cascata de contradições, os policiais estão afoitos em saber o que aconteceu no último dia 19, quando Vinícius Félix Nascimento, 5 anos, e sua babá, Josiane Taborda de Oliveira, 14, foram assassinados.

Segundo o perito criminal Rui Sampaio, seu primeiro passo foi inteirar-se de forma profunda no caso. Em seguida, ele irá ter um primeiro contato com Jairton, sessão prevista para acontecer às 9h de hoje. "Vou conversar com ele e tentar fazer uma primeira avaliação quanto a seu estado psicológico, porém, se perceber que o caso demanda mais tempo, Jairton poderá ser submetido a sessões com psicólogos e psiquiatras, a testes e a outros mecanismos no Departamento de Psiquiatria Forense do Instituto Médico-Legal", contou Rui.

Provas

Além da busca pela definição do perfil psicológico de Jairton, os policiais continuam à procura de provas que materializem o crime. Ontem, o delegado e sua equipe retornaram à casa do acusado, com ele, a fim de descobrir o local onde Jairton escondeu o revólver usado para matar o menino. Mais uma vez ele negou ter utilizado um revólver, o que está despertando certa dúvida no delegado Messias. "Irei pedir para que os peritos reavaliem as fotografias, laudos e anotações para que eu sane totalmente a dúvida de que ele usou ou não um revólver para matar a criança", disse o delegado.

Exame

Ainda hoje pode ser concluído o exame de DNA das amostras de sangue, coletadas nas roupas recolhidas na casa do acusado. Até então, além da confissão, esta é a única prova palpável que pode incriminar ou não Jairton. Já os policiais da delegacia do Alto Maracanã estão trabalhando com a hipótese de o suspeito ser autor de outros estupros no município. Ontem, a enteada dele, de treze anos, foi submetida ao exame de conjunção carnal. O resultado foi negativo, uma vez que Jairton apenas simulava o ato sexual, esfregando-se na garota. Durante o depoimento da menina aos policiais do Cope, ela contou ainda que seu padrasto a obrigava a fazer sexo oral nele, acusação que Jairton confirmou à polícia. Caso o juiz aceite mais esta acusação, ele poderá ser ainda condenado por atentado violento ao pudor, crime que possui a mesma pena de estupro, com o agravante do parentesco com a vítima e a idade da garota.

Hipnose é só pra vítimas

De acordo com o perito criminal, médico-psiquiatra e chefe do Laboratório de Hipnose forense do Instituto de Criminalística, Rui Fernando Cruz Sampaio, quando a pessoa é submetida à sessão, ela permanece no seu estado consciente. Por isso, o criminoso fala o que lhe for conveniente. "É impossível fazer hipnose nestes casos, uma vez que o criminoso vai rastrear no seu consciente a versão que quiser dar dos fatos", explica Sampaio. Além disso, durante o julgamento, o resultado pode ser facilmente questionado, pois o réu jamais pode produzir uma prova contra ele mesmo.

Portanto, o método só funciona quando há interesse da pessoa na verdade, como vítimas ou testemunhas, e quando há perda parcial ou total de memória quanto ao fato. Segundo Sampaio, quando uma mulher é vitima de estupro, por exemplo, ela muitas vezes bloqueia as características do criminoso, mas está disposta em buscar a verdade. Neste caso, ela é submetida a hipnose para relembrar das características do agressor, o que contribui para a confecção do retrato falado. O mesmo acontece em casos de vítimas de assalto e acidentes de trânsito, quando é preciso lembrar a placa do veículo envolvido.

Por fim, o perito esclarece que a hipnose jamais servirá para saber se a pessoa está mentindo ou não. "Nos Estados Unidos existe um detector de mentiras que não é um aparelho confiável e por isso é proibido seu uso no Brasil", finalizou o perito.