Foto: Chuniti Kawamura

Um dos desafios do COE é a identificação do que pode ou não representar uma ameaça.

As recentes ameaças de bombas numa agência dos Correios, em Curitiba, e na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, ocorridas no final do mês passado, foram apenas duas das vinte ocorrências atendidas pelo esquadrão antibomba do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar do Paraná em 2007 na região da capital. Mas o trabalho dessa equipe vai além de apenas desarmar ameaças reais ou não de explosivos: eles precisam de técnica, treinamento, tecnologia e coragem para lidar com o risco iminente de uma explosão.

Um dos desafios enfrentados por esses policiais é a identificação do que pode ou não representar uma ameaça já que, muitas vezes, a intenção de quem deixa uma maleta ou faz um telefonema avisando sobre o artefato é passar um trote. ?Tanto que 70% dos casos configuram só ameaças mesmo?, quantifica o comandante do esquadrão, tenente Ilson de Oliveira Júnior. As vinte ocorrências atendidas ano passado, que exigiram de fato o desarmamento do artefato, estavam em meio a 66 chamados feitos por pessoas amedrontadas com a possibilidade (inverídica) de haver uma bomba ameaçando sua segurança.

A intenção nesses casos, explica o comandante, é causar pânico e desestabilizar a normalidade nos locais, na maior parte dos casos escolas, repartições públicas e ambientes prisionais. ?Pode ter certeza: no dia em que aparece a ameaça geralmente estava marcada uma prova ou reuniões e audiências importantes?, conta. O prédio da Justiça do Trabalho, por exemplo, foi uma das ?vítimas? no ano passado, bem como o Tribunal de Justiça e o Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembra o policial.

Bancos também são ambientes ?ameaçadores?: uma caixa posicionada em frente à porta de uma agência no Água Verde em 2005 fez com que o esquadrão explodisse uma ?mandinga?. Ano passado, foi a vez de outra instituição bancária arcar com o prejuízo de um monitor LCD posicionado dentro de uma caixa junto aos caixas eletrônicos, numa época em que os assaltos a esses equipamentos eram constantes. ?O alarme da agência disparou de madrugada e não tivemos dúvida de que poderia ser uma bomba. Não sobrou nada do monitor?, lembra Oliveira.

Pânico

O problema é que, com o desespero, a evacuação prematura dos prédios acaba se tornando inimiga dos policiais. ?Uma ameaça nunca pode ser desconsiderada, mas o primeiro passo é manter a calma.? Por isso, a dica é conversar com o ameaçador (95% das ameaças são feitas via telefone). ?Tente extrair o máximo de informações?, aconselha o policial, como onde está a bomba, quando vai explodir e quem está falando. Se algo suspeito for encontrado, a ordem é nunca mexer no pacote, mas, sim, acionar a polícia. 

Artefatos novos surgem a cada dia, desafiando o preparo dos policiais

Foto: Chuniti Kawamura

A roupa antidesfragmentação foi adquirida há 10 anos.

Um dos desafios desses policiais é que, a cada dia, novos artefatos surgem no ?mercado?, principalmente com a internet, que permite a propagação rápida de ?técnicas? para produção de explosivos. Com isso, os agentes que trabalham no desarmamento de bombas são constantemente treinados para lidar com os mais diversos tipos de artefatos no entanto, dependem não apenas de seu conhecimento, mas de equipamentos que garantam ou minimizem qualquer dano ocasionado por um possível acidente.

No Paraná, o esquadrão anti-bombas trabalha com instrumentos como a roupa antidesfragmentação, capaz de suportar estilhaços de explosivos e proteger contra o fogo, além de kits específicos de remoção e desarmamento de bombas. A roupa especial é usada no Estado desde 1998. O Paraná, segundo o tenente Oliveira, foi o primeiro Estado do País a adquirir o equipamento, numa época em que a necessidade do reaparelhamento da equipe se mostrou evidente: dois anos antes, Curitiba sofria uma das piores ameaças de bomba de sua história, no Shopping Curitiba, onde um artefato de TNT encontrado no banheiro estava programado para explodir o recinto. Logo depois deste evento, uma série de ameaças começou a surgir, o que chamou a atenção da opinião pública.

Desde então, o esquadrão vem registrando ano a ano aumento nesse tipo de ocorrência. Em 2003, Curitiba e Região Metropolitana registraram 13 ameaças seguidas de desarmamento; em 2004, pulou para 19, chegando ao recorde do esquadrão em 2005, com 21 ocorrências. Em 2006 e 2007, o índice empatou em vinte. ?Não é possível dizer por que ocorrem essas oscilações, mas o fato é que precisamos estar prontos para lidar com qualquer tipo de ameaça. Com bombas, só se erra uma vez?, afirma o comandante.

Equipamentos

Dez anos depois, é hora de os equipamentos serem revistos. Em São Paulo, por exemplo, o esquadrão conta com utensílios sofisticados, como o manipulador robótico de explosivos, que remove o artefato no lugar do policial, e um robô que desarma as bombas, adquiridos há cinco anos. Por aqui, o esquadrão carece ainda de um braço mecânico para fazer as vezes do braço do policial ao remover o artefato e de uma nova roupa antidesfragmentação: a atual tem menos mobilidade e não protege as mãos.

A Secretaria de Segurança Pública, por sua vez, não quantifica os valores, nem fornece prazos, mas informa que os equipamentos (roupa, braço mecânico e ainda um escudo protetor para desativação de bombas) já foram solicitados e a compra dos mesmos está em andamento. (LM)