Foto: Anderson Tozato/Tribuna
Desconhecida tem tatuagem
de uma rosa vermelha
na perna direita.

Uma garota de aproximadamente 20 anos foi encontrada morta e totalmente nua, por volta das 16h de ontem, em uma construção abandonada na Rua Jorge Bonn, Jardim São Jorge, no Tingüi, em frente a um condomínio de prédios do número 215. A garota estava completamente nua e com marcas de agressão física, incluindo uma forte pancada na cabeça, ao lado do olho direito.

Próximo a ela, em uma área coberta da construção, foram encontrados os pertences da garota: uma mochila vermelha com diversas roupas, incluindo algumas peças masculinas, chinelos de dedo sujos de sangue, um pote com ração para cachorro, além de calcinhas também ensangüentadas, indicando que a garota estaria menstruada ou que sofreu algum abuso sexual. Também foi achado um tijolo de cimento sujo de sangue, provável arma do crime.

O soldado Rossi, do Regimento de Polícia Montada (RPMon), acredita que ela era andarilha e usava o espaço abandonado como moradia. Nenhum dos moradores reconheceu a garota. Há sinais de que após a agressão, ocorrida provavelmente na área coberta, onde ela guardava os pertences, o corpo foi arrastado até o "cômodo" ao lado.

Apenas um casal que reside no condomínio de prédios vizinho ao local do crime disse ter ouvido gritos de mulher na noite da última sexta-feira. Já um outro morador comentou que viu um casal entrar brigando no barracão, cercado por um matagal alto. Quem encontrou o corpo foi um adolescente de 17 anos, que disse à polícia ter ido ao local para brincar com os amigos.

Um dos garotos comentou com o adolescente que encontrou o cadáver que a garota era moradora da Vila Esperança, próximo do Rio Verde, mas que não sabia quem era a menina. A vítima tem pele morena, cabelos morenos e encaracolados na altura dos ombros e a tatuagem de uma rosa vermelha na perna direita. O corpo será levado ao IML, onde aguarda identificação. A Delegacia de Homicídios dará continuidade às investigações.

Arruaças no local vazio

"Esse lugar só serve pra isso, para encontrar cadáveres, arruaça. Ele só é usado por vagabundos, porque gente de bem não entra aqui", revolta-se Gilmar Lussoli, 44 anos, reclamando do barracão abandonado que um dia já foi o matadouro do frigorífico Frigosul. Segundo Gilmar, que mora há 42 anos no bairro, há 12 anos o prédio abandonado reúne usuários de drogas, andarilhos e marginais, fato confirmado por outros moradores que acompanhavam o trabalho policial. Isso vem trazendo insegurança aos moradores e à diretoria de um colégio próximo.

"Vira e mexe temos que buscar alunos lá dentro para trazê-los à aula. Essa construção é um problema", diz Sandra Costa Ulsan, diretora do Colégio Estadual Dona Branca do Nascimento Miranda, que fica a aproximadamente 100 metros do barracão. Ela já acionou até mesmo o Ministério Público pedindo a demolição do prédio, cheio de subdivisões e salas, que facilmente esconde marginais e andarilhos.

"A promessa do proprietário era a de destruir o barracão, mas isso não foi feito. Ele apenas mandou fechar as portas da frente, porém as laterais do prédio continuam acessíveis. Há quatro meses o mato foi cortado pela Prefeitura, mas o que resolveria mesmo é demolir", explica Sandra, que diz que a escola não promove aulas à noite pela falta de condições de segurança, justamente pela existência do prédio abandonado.

A diretora do colégio também relata que, na semana passada, policiais da Patrulha Escolar Comunitária pegaram alguns adolescentes cheirando cola no local. Outro fato reivindicado pela diretora, é a construção de calçadas na Rua Jorge Bonn. Há aproximadamente um mês, uma garota de 13 anos foi atropelada na via, justamente pela falta de calçadas. "Poderia ter sido um dos 1.280 alunos da escola, o filho de um morador, qualquer um de nós. Acredito até que os pais farão um abaixo-assinado pedindo a obra", finaliza Sandra.