Pancadas ou afogamento podem ter
sido a causa da morte do desconhecido.

Um homicídio ocorrido provavelmente na madrugada de ontem tornou-se um caso bastante misterioso para a polícia desvendar. A vítima, encontrada na tarde de ontem, ainda não foi identificada. Mas dentro do veículo que estava próximo ao corpo havia cópias de documentos da Polícia Civil e da Assembléia Legislativa, panfletos de um candidato a deputado estadual e livros jurídicos. O carro havia sido depenado.

O corpo estava caído à margem de uma cava, em uma estradinha de difícil acesso dentro da área do Zoológico do Parque Iguaçu. No início da tarde, um homem foi pescar no local e encontrou um Monza cinza caído na valeta à margem da estrada. Enquanto o pescador ia avisar a polícia, a esposa dele encontrou o corpo, cerca de 80 metros adiante, jogado em uma cava e parcialmente coberto por água.

Espancado

Pelos levantamentos preliminares do perito criminal Eremi Sierakowski, do Instituto de Criminalística, a vítima foi espancada, não sendo possível saber se a causa da morte foram as agressões ou afogamento. O rosto do homem estava submerso. O perito pôde constatar afundamento na face e no tórax, causados pelo espancamento. O sangue ainda fresco no rosto e o estado do cadáver levaram o perito a concluir que o crime teria ocorrido há menos de doze horas.

“Ele pode ter desmaiado depois das agressões, ter sido arrastado e jogado ainda vivo na água”, disse o delegado Sebastião Ramos Neto, da Homicídios, que compareceu ao local. “É muito cedo para definir qualquer coisa, por enquanto só temos suposições. Vamos depender de resultados posteriores da perícia, análise das pistas e levantamentos mais apurados”, declarou o policial.

As hipóteses prováveis são de latrocínio ou execução. Assaltantes podem ter tentado um seqüestro-relâmpago para levantar dinheiro e terem decidido matar a vítima ao perceber indícios de que poderia ser um policial – no vidro do carro havia um adesivo da Polícia Civil. Mas nem mesmo se sabe se o carro era da vítima.

Pistas

O veículo também é um mistério. A placa posterior do Monza foi arrancada, bem como o aparelho de som e as rodas. Os vidros foram todos quebrados. A placa da frente possibilitou que os policiais militares do RPMont rastreassem a origem do veículo. “Está registrado em uma financeira da cidade de Paranavaí”, informou o soldado Brisqueis, que atendeu a ocorrência com o soldado Severo e o aspirante Andrade.

Dentro do Monza, a polícia encontrou um Código Penal, material de campanha de um candidato a deputado e vários exemplares da edição de agosto de 2002 do jornal da União da Polícia Civil. Havia também um exemplar do jornal Plantão Policial, datado de 1995, e cópia da Lei de Execuções Penais.

Documentos

Dentro de uma pasta, que foi estranhamente deixada pelos criminosos, havia diversos documentos, quase todos relacionados à polícia e à Assembléia Legislativa: cópias de requerimentos internos entre delegados, de um projeto de lei visando a integração dos técnicos em telecomunicações da polícia para o cargo investigadores e do estatuto da Associação de Técnicos Operadores de Telecomunicações da Polícia Civil. Um documento que pode ajudar a identificar o homem morto é uma receita médica emitida pelo Hospital do Trabalhador, mas o nome da pessoa estava ilegível.

A vítima usava calça jeans e uma camiseta da Copa da França de 98. Estava sem sapatos. Era um homem de aproximadamente 40 anos, moreno-escuro, com bigode e cabelos pretos e crespos. No peito, tinha uma tatuagem representando o sol e as fases da lua.

O delegado Sebastião irá conduzir as investigações para solucionar o caso.