O corpo enterrado em uma cova rasa e a cabeça da vítima atirada num matagal, a 8 metros dali. A cena de horror revelou o motivo do desaparecimento do deficiente físico e usuário de crack Ednilson Vanderlei Salata, 39 anos, que tinha sumido de casa na quinta-feira da semana passada, quando saiu para comprar droga. Foi o próprio filho da vítima, Everton Salata, 18, que na busca pelo pai encontrou a cabeça e depois o corpo, sepultado à margem da Rua Ovídio Garcez, na Vila Leonice, Cachoeira, ontem à noite.

Aposentado por invalidez aos 16 anos, quando sofreu um acidente de trânsito e quebrou grande parte dos ossos do corpo, Ednilson era um homem atormentado pela dor. Casado e pai de dois filhos, de 12 e 18 anos, passou a usar crack e tornou-se viciado. Quase todas as noites saía de casa, na Rua Nadir Schultz Helving, rumo à ?boca de fumo?, situada próximo de onde foi morto.

Era o alívio que encontrava para a dor. Ele faria uma cirurgia nos próximos dias e havia grande possibilidade de não voltar a andar.

Na noite de quinta-feira, ele saiu para comprar crack, vestindo camiseta, bermuda e chinelos. Caminhou até a Rua Ovídio Garcez e seguiu pelo carreiro, no meio do mato, que levava ao ponto de venda de drogas, em uma invasão. Não se sabe em que momento foi assassinado. Com requintes de crueldade, os criminosos arrancaram a cabeça da vítima, deixando-a à mostra, e enterraram o corpo.

Procura

No sábado, policiais militares receberam uma ligação anônima, indicando o local exato onde estava o cadáver. É possível que o próprio assassino tenha avisado, pois a ligação foi feita de um telefone público da região. Os soldados foram até o matagal na Vila Leonice, mas não encontraram o corpo. Ontem, o filho da vítima resolveu reconstituir os passos do pai, na esperança de encontrá-lo.

Quando entrou no matagal e percorreu o mesmo carreiro que Ednilson, o jovem viu a cabeça. Os policiais, que estavam por ali, escutaram os gritos do rapaz e, ao confirmar o assassinato, acionaram os peritos criminais. De acordo com o perito Elmir, no local não era possível saber se havia ferimento causado por tiro ou faca, pelo fato do corpo estar coberto de terra, muito sujo. Provavelmente, o deficiente físico foi assassinado na mesma noite em que desapareceu.

?Sabia que tinha algo errado, pois ele nunca dormiu fora de casa. Usava drogas, mas pagava por elas com sua aposentadoria. Nunca vendeu nada de dentro de casa para sustentar o vício e era benquisto por todos do bairro. Não imagino porque fizeram isso com ele?, disse o filho da vítima. A Delegacia de Homicídos tem mais um mistério para resolver.