O corpo foi encontrado no mato, já em
decomposição, pelos parentes da jovem Emília.

Degolada e com uma profunda incisão na barriga, Emília Francisca Soares de Abreu, 19 anos, foi encontrada morta por seus familiares, às 14h de ontem, em um matagal na Rua Antônio Colodi, no bairro Butiatuvinha, próximo ao Contorno Norte. O feto, de cinco meses, que a jovem carregava no ventre, foi retirado pelo criminoso. Ela, que era viciada em drogas e se prostituía para manter o vício, estava desaparecida há oito dias.

A vítima vestia somente uma camiseta de cor preta, levantada até o pescoço. Próximo ao corpo foi achada uma blusa de moletom, também na cor preta. Foi recolhido ainda um boné, que provavelmente pertence ao autor (ou um dos autores) do crime.

De acordo com o perito Fontoura, da Polícia Científica, o assassino degolou a jovem e depois fez o corte em forma de cruz na barriga dela, para retirar o feto. A polícia suspeita que o feto foi jogado no Rio da Lola, que passa nas proximidades do local do encontro.

Suspeitos

A polícia acredita que o motivo do crime foi a gravidez e já identificou dois suspeitos. “Um deles deixou cair um boné no local do crime”, frisou o superintendente Neimir. Ele disse que por enquanto não irá divulgar nomes, para não atrapalhar as investigações. “Nossos policiais já estão procurando os dois e oportunamente divulgaremos quem são”, salientou Neimir.

De acordo com os levantamentos policiais, a jovem sobrevivia às custas da prostituiçao e fazia ponto na região. Ela foi vista, pela última vez, em companhia de um dos suspeitos. “Acreditamos que ele a levou para um matagal, com a desculpa de fazer um programa ou usar drogas. Quando lá chegaram, o provável pai do filho que a vítima esperava os aguardava. Tudo indica que foi uma cilada”, revelou o superintendente, que aguarda o resultado da perícia para saber se a garota foi estuprada ou manteve relações sexuais pouco antes de ser assassinada.

Desaparecimento

O corpo, já em adiantado estado de decomposição, foi achado pelo tio da moça, Djalma Osório da Silva e o presidente da Associação de Moradores do Jardim Três Pinheiros, Osni Rodrigues de Oliveira. “A Emília desapareceu há oito dias. No domingo surgiu um boato que ela estava morta no matagal. Ligamos para a polícia, mas ninguém deu bola. Então resolvemos procurar”, contou Djalma. Ele disse que a jovem tinha uma vida irregular, mas sempre retornava para casa. “Ela passava a noite fora, mas no outro dia sempre aparecia”.

Osni contou que pela manhã fez buscas junto com a tia da vítima, Tânia Regina Bento, mas não obteve sucesso. No início da tarde recomeçaram e acharam o corpo, coberto por folhagens. “Quem fez queria dificultar o encontro”, salientou Osni.

Tânia contou que a sobrinha era viciada em drogas, especialmente em crack e tínner, e envolvida com pequenos furtos. “Ela chegava a se prostituir para comprar drogas também. Tanto que estava grávida de cinco meses e não sabemos quem era o pai da criança”, comentou a tia. Ela disse que Emília chegou a fazer uma consulta no Posto de Saúde da região.