A declaração que o delegado geral da Polícia Civil, Riad Braga Farhat, deu à rádio Banda B, na tarde de quinta-feira (27), trouxe muita revolta à família de Thayná Adriane da Silva, morta aos 14 anos em junho do ano passado, em Colombo. Diante da complexidade do caso, ele declarou que mesmo a polícia trabalhando sem parar, desde a data do crime até agora, de todas as formas possíveis para elucidar o homicídio, ele não descarta a possibilidade do caso nunca ganhar uma solução. Ainda embasou o discurso, falando que até mesmo organizações internacionais contra o crime, como as de Nova York, Paris e Tóquio, que possuem tecnologia mais avançada e melhores recursos, também têm casos não resolvidos.

De acordo com o advogado Luís Gustavo Janiszewski, que atende a família de Thayná, a revolta foi porque, até então, as informações que a família tinha eram completamente contrárias à declaração do delegado. “O que as autoridades nos diziam era que o caso estava solucionado e existia um suspeito”, disse o defensor, que mostrou que a declaração de Farhat levou pro ralo as esperanças da família de ver o assassino na cadeia.

Política

A declaração do delegado geral também trouxe outra preocupação à família, a de que o inquérito do homicídio esteja sofrendo influência política. Janiszewski explicou que, na época em que laudos do crime ainda estavam sendo produzidos pelo Instituto Médico-Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística (IC), as roupas de Thayná (retiradas do cadáver) foram queimadas e alguns objetos da estudante sumiram do prédio do IC. Algo que não poderia ter acontecido, já que o inquérito ainda estava em andamento e os materiais poderiam passar por novas análises. Também criticou a atuação do médico legista Alexandre Gebran Neto, que segundo o advogado, produziu um laudo de cadáver incompleto e omisso, e da perita Jussara Joeckel, que fez a perícia de local de crime e alegou que não houve violência sexual contra Thayná. A família acredita o contrário, de que a jovem foi estuprada pelos quatro rapazes detidos no dia do encontro do cadáver.

O advogado considerou isto tudo como erros graves por parte do IML e do IC. “O atual secretário de segurança é o Leon Grupenmacher, que na época era diretor dos dois institutos. Se percebermos que a declaração do delegado geral foi por influência política do secretário, pra que o inquérito fique sem solução pra esconder os erros do Leon no Instituto de Criminalística, nós vamos fazer um barulho grande. Vamos pedir intervenção da Polícia Federal no inquérito, vamos na Assembléia Legislativa expor o caso, vamos falar com o governador, iremos às ruas protestar”, disse Janiszewski.

Mas antes de fazer o “estardalhaço”, o advogado disse que primeiro vai conversar com o delegado Cristiano Quintas, que preside o inquérito. “Vamos ver com ele se a declaração foi apenas um ato falho do delegado geral, ou se o caso ainda está sem solução nenhuma mesmo”, explicou.