Um suposto seqüestro, que teria sido praticado por policiais civis lotados na delegacia de Almirante Tamandaré, está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil desde a tarde de ontem, quando familiares de Cláudia Siqueira Lino, 32 anos, denunciaram o fato. A mulher, que trabalha como caixa do Supermercado Boni, no bairro Tanguá, foi algemada e presa às 15h de segunda-feira, por três investigadores que ocupavam uma viatura preta e branca, com o prefixo 1580. Sem qualquer explicação, eles levaram a vítima para um local desconhecido. Até a noite de ontem, nem o delegado Germino Marques Bonfin Filho, titular da delegacia de Tamandaré, tinha conhecimento do paradeiro de Cláudia.

Todo o caso está envolto em grande mistério e aparentemente cheio de irregularidades no tocante ao trabalho policial. “Eles seqüestraram a minha esposa e não querem dizer onde ela está”, queixou-se o motorista José Carlos Lino, 37, que está desesperado com toda a situação. De acordo com José Carlos – casado há 17 anos com Cláudia – ela é uma mulher honesta, que jamais teve qualquer envolvimento policial. “Nem ela, nem eu, nem nossos três filhos”, salientou o marido, que também teve a casa invadida pelos mesmos investigadores. “Eles roubaram um celular de dentro da minha casa e ainda apreenderam meu carro, que estava na oficina mecânica”, explicou. A acusação que pesaria contra Cláudia, segundo afirmou um de seus filhos, é a de que ela poderia estar envolvida em assaltos.

“Os policiais disseram que o nosso carro foi usado para roubos”, contou o adolescente. No entanto, segundo José Carlos, há mais de 15 dias que o veículo – a Caravan prata, placa ACI-3820 – estava na oficina mecânica com problemas na caixa de câmbio.

Prisão

De acordo com a denúncia feita pela família, Cláudia estava trabalhando normalmente quando os três homens invadiram o mercado, às 15h de segunda-feira, e diante de todos a algemaram sem dar qualquer explicação. Em seguida, foram à oficina mecânica, situada ao lado de onde a mulher trabalha e exigiram a entrega do carro, que foi levado com o auxílio de um guincho.

Naquela mesma noite, por volta das 23h, os mesmos policiais com a mesma viatura, foram até a residência da família, onde estavam os três filhos do casal (a mais nova tem apenas 2 anos) e um irmão de José Carlos, e os ameaçaram. Invadiram a residência, reviraram os cômodos, apoderaram-se do celular e saíram dizendo que mais gente seria presa.

Apavorados, os filhos localizaram o pai em São Paulo – onde ele estava trabalhando há 17 dias – e pediram ajuda. José Carlos voltou imediatamente e passou a procurar a mulher. Para seu desespero, na delegacia de Almirante Tamandaré negaram que ela estivesse presa. Sugeriram que a prisão tivesse sido feita pela delegacia de Campo Magro. Ela também não estava lá. A família então seguiu para a Corregedoria da Polícia Civil e registrou queixa, pedindo ajuda para localizá-la.

Providências

O corregedor Adauto Abreu de Oliveira confirmou ontem à noite a oficialização da queixa e disse estar tomando providências para encontrar a mulher. O caso está sendo investigado pelo delegado Gilson Garret Algauer, responsável pelo setor de Assuntos Internos da Corregedoria, que também confirmou o início das diligências. “Ainda não conseguimos apurar o que na verdade aconteceu, mas a situação toda é muito estranha”, afirmou Oliveira.

Ontem, por volta das 20h, o delegado de Almirante Tamandaré estava reunido com vários policiais na delegacia e informou através de sua secretária que iria sair para “fazer diligências sobre o caso”. O carro apreendido está no pátio da delegacia.