Itamar ressalta que trabalho
não será notificado.

Uma das medidas relacionadas à segurança, anunciadas na terça-feira pelo governador Roberto Requião, foi o desarmamento da população. Segundo avaliação do coronel Itamar dos Santos, que assumiu a função de chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, a medida deve baixar os números da criminalidade, já que 70% dos homicídios são praticados com arma de fogo. Ele afirma ainda que grande parte das armas estão de modo ilegal no mercado.

O coronel Itamar explica que pelo menos a metade dos crimes ocorrem por motivos fúteis, como brigas de bar, entre namorados e até mesmo na família. A outra parte está relacionada aos crimes, como o tráfico de drogas e vinganças. “Sem as armas, a criminalidade deve baixar”, aposta.

Em 2000, a Polícia Militar apreendeu 1.953 armas e ano passado foram 2.166. Este ano, entre janeiro e abril, foram 745. Mas o coronel não sabe precisar a quantidade de armamento que eles podem apreender este ano, já que também não há uma estimativa sobre o que está em poder da população de forma ilegal. No entanto, o governador espera que, com a gratificação de R$100 por material apreendido, os números sejam expressivos.

Dificuldades

Mesmo com o anúncio do desarmamento, a Polícia Militar não vai alterar a forma de trabalho realizada até agora. As quatro regionais da PM já realizavam duas vezes por semana batidas em bares e ruas e, pelo menos uma vez por semana, atuavam de forma integrada.

Uma das dificuldades para se apreender as armas, segundo Itamar, é que geralmente elas estão guardadas em casa e a polícia não pode entrar sem autorização judicial. Por isso, seria importante a população denunciar esses casos, para que com mandato de busca e apreensão o armamento seja recolhido. As armas apreendidas são destruídas pelo Exército.

Porte de arma

Só os cidadãos com porte legal de arma vão se livrar da mira da PM. Mesmo assim, o governador pretende suspender novas concessões e ainda rever o processo de quem já possui. A Polícia Civil é quem concede a licença. O candidato passa por diversos testes, incluindo de habilidade, conhecimento jurídico e psicológico. Todo ano é necessária a renovação da licença e, a cada três anos, refazer todos os exames.

Em 1999, foram expedidas 14 mil licenças e no ano passado 4 mil. Segundo o delegado titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, Guaraci Hoffmann, isso aconteceu devido ao endurecimento da lei, exigindo uma série de documentos para a liberação do porte.

Movimento discute fechamento de bares

O fechamento de bares que vendem bebida alcóolica num raio de até 200 metros nas proximidades de escolas foi uma das medidas discutidas ontem, em Curitiba, pelo Movimento Pró-Paraná, que considera esses locais uma “ante-sala” para o crime. Segundo um dos coordenadores do movimento, José Augusto Soavinski, duzentas escolas encaminharam pedido de apoio ao órgão para resolver a questão.

Soavinski afirma que é quase uma regra um bar ser aberto ao lado de um colégio. E a situação preocupa porque os estudantes estão correndo o risco de se tornarem futuros alcoólatras. Ele lembra ainda que 83% dos crimes estão relacionados ao uso do álcool. Cita até casos em que os alunos entraram bêbados no colégio e agrediram professores. Só nas imediações do Colégio Estadual Rio Branco, no bairro Batel, contou a presença de doze bares.

Outro ponto discutido é a criação de uma lei que determine o fechamento dessas casas após às 22h. Soavinski comenta que em municípios que adotaram a idéia, como Campo Largo, a criminalidade diminuiu em cerca de 60%.

O diretor do Colégio Estadual Leôncio, Ivo Pitz Corrêa, no Pilarzinho, afirma que é comum os alunos deixarem de freqüentar as aulas para ficar no bar. Mas para ele fechar os estabelecimentos não seria a maneira mais adequada. Ele defende que deveria ter mais gente na escola para fiscalizar a freqüência e realizar atividades de conscientização.

Outro problema que se esconde nas mesas dos bares, segundo Soavinski, é o tráfico de drogas. Muitas casas estariam servindo apenas como fachada. “Hoje, 70% dos jovens estão curiosos para experimentar a droga e os outros 30% já estão usando. Precisamos evitar isso”, diz. Ele afirma ainda que Curitiba é a segunda capital que mais consome drogas e o quarta em suicídios.

Também é intenção do movimento criar uma unidade comunitária terapêutica, para ajudar na recuperação de dependentes químicos. Todas as propostas serão encaminhadas para os órgãos competentes, para providências sejam tomadas.