Daniel Derevecki
Preso faria cirurgia no Hospital do Trabalhador.

A ficha criminal de Carlos Eduardo de Jesus Leal, 26 anos, marcada pela prática de diversos crimes, agora conta com o registro de uma fuga espetacular. Durante a madrugada de ontem, aproximadamente 4h30, ele conseguiu escapar do Hospital do Trabalhador, bairro Portão, onde realizaria uma cirurgia. Estava com escolta policial, algemado e ainda tem uma deficiência física – não possui a perna direita.

Ele fugiu do quarto onde estava internado com a ajuda de uma "teresa" (corda feita de panos).

Os dois policiais militares que realizavam a escolta, ao perceberem a fuga, pediram reforços, mas o preso não foi mais localizado.

De acordo com informações da PM, Carlos estava internado no Complexo Médico Penal, em Piraquara, e devido a uma cirurgia agendada para ontem, no Hospital do Trabalhador, foi necessário fazer a sua remoção. Para isso foi organizada uma escolta que também conduziu outros presos para o mesmo centro médico.

Golpe

Dentro do hospital ocorreu um tumulto que precisou da intervenção dos policiais militares da escolta. A confusão teria envolvido um dos presos que havia sido encaminhado ao Hospital do Trabalhador. "Pelo que foi apurado até o momento, os PMs precisaram atender o tumulto e deixaram Carlos sozinho, porém algemado. Ele aproveitou a chance para escapar", relatou o tenente Araújo. Existe a possibilidade do tumulto ter sido simulado pelos presos para tirar a atenção dos policiais e favorecer a fuga de Carlos. "Essa hipótese está sendo averiguada", relatou o tenente.

O comando da PM também irá instaurar procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da fuga e se os policiais serão responsabilizados.

Como o preso conseguiu desapareceu rapidamente da área do hospital, mesmo apresentando problemas físicos, é provável que algum comparsa dele estivesse à espera com um carro.

Perigoso e com ficha criminal extensa

A última prisão de Carlos Eduardo ocorreu em maio deste ano. Uma denúncia anônima levou a Polícia Federal até a casa onde ele estava, na Estrada do Ganchinho, Sítio Cercado, em Curitiba. Na residência, os policiais encontraram oito quilos de crack, material químico utilizado na confecção da droga e balanças de precisão. Além desse material, foram apreendidas uma pistola calibre 380, com numeração raspada, uma pistola 6.35, sem registro, aparelhos celulares e dois veículos. Três meses antes, Carlos havia sido preso por policiais militares quando transitava com um Astra, com placa "fria", no bairro Pinheirinho. O Astra (placa ASO-3010) foi roubado em 10 de fevereiro, no Sítio Cercado, e teve a placa trocada para ANI-0892, de um Vectra. Carlos foi encaminhado à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, de onde foi liberado em 14 de março por determinação judicial. Na ocasião de sua prisão, foi levantado que já tinha antecedentes por furto e receptação. Em 17 de março de 2004, foi preso com um Golf roubado, o que lhe valeu condenação de três anos e seis meses de prisão.