Foto: Walter Alves/Tribuna

Carceragem para 30 abrigava 137.

Falta de vagas no sistema penitenciário aliada ao esvaziamento e desativação dos ?mini-presídios? em que se transformaram as cadeias do 3.º Distrito Policial (Mercês) e 8.º DP (Portão) fizeram com que as carceragens do 7.ºDP (Vila Hauer) e 11.º DP (CIC) ficassem ainda mais ?inchadas?. A superlotação e as condições de sobrevivência nesses locais deixam latente na cabeça dos detentos uma única idéia: fugir. Esse pensamento acompanha os presos a toda hora, durante dias, pois ficam ociosos e, como não trabalham nem desenvolvem qualquer atividade nas carceragens, gastam seu tempo ?bolando? meios de escapar da prisão.

No início da madrugada de ontem, essa história se repetiu no 7.º DP (Vila Hauer). A fuga começou quando um detento simulou estar passando mal e os demais companheiros de cela começaram a gritar para os policiais de plantão. Um dos plantonistas abriu a carceragem da ala A, para verificar o que estava acontecendo e foi rendido pelos presos que haviam quebrado os cadeados das celas e estavam no corredor.

Conforme a delegada Selma Braga, os marginais pegaram a arma (pistola ponto 40) do policial e 19 deles fugiram por uma janela lateral do distrito. A fuga não foi maior porque o outro plantonista deu o alerta e impediu a debandada. Policiais militares e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) foram acionados e conseguiram controlar a situação no 7.ºDP (Vila Hauer).

Durante buscas, quatro fugitivos foram recapturados. A superlotação do distrito foi apontada como a principal causa para a fuga. A carceragem, com capacidade para 30 presos, contava com 137.

Cadeia também ferve no distrito da CIC

Além do 7.º DP (Vila Hauer), outro distrito que está superlotado e constantemente sofre com o problema de tentativa de fugas é o 11.º DP (CIC). Ontem pela manhã, policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) fizeram uma varredura no interior da carceragem para localizar buracos em paredes e chão e assim impedir uma futura escapada. De acordo com o delegado Gerson Machado, a vistoria nas celas do distrito tem sido feita rotineiramente, pois a grande quantidade de presos aumenta a probabilidade de fugas e rebeliões.

Na última sexta-feira, 23 tentaram escapar da carceragem cavando um buraco a partir de uma das celas. A fuga só não foi concretizada porque os presos chegaram em placas de alumínio após cavarem o buraco. ?Se o plantonista não tivesse percebido a fuga e os presos tivessem mais tempo, com certeza, teriam conseguido estourar a placa também?, disse um policial do distrito. Cope e PM foram acionados e contornaram a situação. Atualmente, 148 presos se amontoam nas celas do 11.º DP que foi projetado para abrigar 45.

Doenças

Outro fator que impulsiona a vontade de fugir dos presos é o convívio com detentos enfermos em um ambiente propício para a proliferação de doenças. Para a reportagem da Tribuna foi repassada a informação de que detentos portadores de doenças graves estariam trancafiados na carceragem do 11º DP. Em contato com o delegado Gerson Machado, ele afirmou que pediu a remoção para o complexo médico de quatro presos que estariam com pneumonia e tuberculose e outro que seria portador do vírus da aids.

Regalias viram ?armas? no 11.º DP

Não é fácil gerenciar um distrito policial superlotado. Além das constantes tentativas de fugas e possíveis rebeliões, os policiais têm que se desdobrar para atender à população, investigar e cuidar de presos. Como o efetivo é escasso, ultimamente as duas primeiras funções estão comprometidas. No 11.º DP, o delegado Gerson Machado deu mostras de como é difícil a convivência entre policiais e presos.

Na carceragem, os presos tinham acesso a televisor, rádio, ventilador e recebiam material para fazer artesanato. Mas, a partir dessa semana, a política adotada naquele distrito foi alterada devido à atitude dos presos. Em vez de aproveitar tais regalias para melhorar a sua estadia, os detentos desmontavam os objetos e criavam engenhocas para cavar buracos e furar paredes. Também utilizavam o material de artesanato para compor uma espécie de massa corrida que fica da mesma cor do concreto. A massa era usada para encobrir os buracos feitos na parede e, assim, ludibriar a polícia. ?Durante uma revista fica praticamente impossível achar onde estão os buracos, que serão usados para fugas?, informou o superintendente Barbosa.

Diante desse quadro, o delegado proibiu a entrada de material para artesanato e também determinou a retirada de aparelhos como rádio e televisão. ?Queremos facilitar um pouco a vida dos detentos, porém eles transformam o material recebido em armas que são usadas contra nós (policiais)?, desabafou Machado. Segundo ele, a partir de agora, só entram alimentos.

Bomba caseira em Maringá

Quatro bombas de fabricação caseira atingiram, na madrugada de ontem, o 5.º Distrito Policial de Maringá, noroeste do Estado. Os responsáveis pelo ataque quebraram as janelas e atiraram os coquetéis molotov contra a sala do delegado Antônio Brandão Neto, danificando móveis, paredes, cortinas, instalação elétrica e o aparelho de ar condicionado.

Quem chamou a polícia foi uma vizinha, já que, na hora do ataque, a delegacia estava vazia. A polícia trabalha com hipótese de um ato de vandalismo isolado ou vingança de bandidos da região. De acordo com a escrivã daquele distrito, Zora Mepomuceno, desde que a equipe policial assumiu o local, em outubro de 2004, todos os casos de homicídios investigados na delegacia foram resolvidos e os responsáveis, detidos. ?Os criminosos da área sabem que estamos realizando um bom trabalho?, afirma.

O ataque também pode ter sido facilitado pelo fato de a delegacia estar localizada em local isolado, nas proximidades da zona rural. A polícia afirma já ter pistas sobre prováveis suspeitos.