Foto: Átila Alberti

Marcos nega envolvimento na morte de Elvis.

A morte do estudante Elvis Henrique Iriguti, 12 anos, vítima de uma bala perdida no último domingo, no Parolin, começou a ser esclarecida na madrugada de ontem, com a prisão do catador de papel Marcos Ferreira da Costa, o ?Coco?, 21 anos. Detido por força de um mandado de prisão temporária, ele é suspeito de estar envolvido com uma das gangues que participou do tiroteio, que resultou no assassinato do garotinho, atingido no coração.

?Coco? foi preso por policiais militares do serviço reservado, em São José dos Pinhais. Ele carregava três pedras de crack, o que lhe rendeu um termo circunstanciado por uso de entorpecente. No entanto, foi reconhecido pelos agentes à paisana como sendo um dos investigados pela morte do estudante. Encaminhado à Delegacia de Homicídios (DH), ?Coco? deverá ficar recolhido por pelo menos 30 dias, período em que a investigação da DH deverá descobrir os outros envolvidos e o motivo do tiroteio, bem como buscar as armas usadas pelos marginais.

Defesa

?Coco? se defendeu dizendo que não faz parte da ?gangue de baixo?, envolvida na troca de tiros, e que apenas conhece alguns de seus integrantes. Ele alegou que, naquele domingo, participava da festa em prol da paz, que ocorria no barracão da FAS.

No evento também estavam alguns integrantes da ?gangue de baixo?, que mesmo fazendo parte de uma festa contra a violência, estariam armados. Por volta das 13h30, marginais da ?gangue de cima?, que teria um indivíduo de apelido ?Gordo? como chefe, passaram em frente ao barracão e viram seus rivais na festa. Fora do barracão, os grupos opostos se desafiaram trocando tiros. Um dos disparos atingiu Elvis, que tinha saído de casa para ir comprar remédio para o pai.

O detido explicou que, enquanto ocorriam os tiros, ouviu dizer que seu irmão estava no meio da confusão. Ele disse que correu para fora, para checar a informação, e por ter sido visto correndo junto com os garotos da ?gangue de baixo?, foi confundido com os marginais. Apesar de demonstrar que sabia quem eram os envolvidos no confronto, ?Coco? não deu os nomes. Apenas disse que seriam adolescentes.

Guerra

Moradores do Parolin estão vivendo um estado de ?guerra?, conforme afirmam.

O cotidiano da vila é marcado por tiroteios, violência, tráfico de drogas e mortes – uma ou duas por semana. ?Coco? tentou explicar o que ocorre no bairro. Algumas mortes entre as gangues desencadearam uma seqüência de vinganças, que a cada semana resulta em novos assassinatos. Outras execuções, disse o detido, ocorrem por motivos fúteis. ?Os ?piás? de cima descem o morro armados. Se eles vêem alguém bêbado, chapado ou olhando torto, eles metem bala mesmo, sem motivo. Teve uma garota que tirou sarro de um deles esses dias, levou bala?, relatou.

Ele ainda contou que o Parolin já foi um bairro bom de morar. ?Hoje ninguém mais quer viver ali. Está todo mundo com medo?, finalizou o catador de papel, que antes de ser detido, diz que faturava entre R$ 600,00 e R$ 700,00 por mês, juntanto material reciclável.