Funcionárias da casa são
levadas para o camburão.

A carta de uma mãe desesperada, contando a história da filha que se tornou prostituta, caiu no submundo das drogas e acabou contraindo o vírus da Aids, levou a polícia à uma investigação que resultou no fechamento de uma das saunas mais conhecidas de Curitiba. No final da tarde de ontem, policiais da Divisão de Narcóticos (Dinarc) e do Grupo Tigre, munidos de mandado de busca e apreensão, fizeram uma blitz na Sauna Imperial, na Avenida Visconde de Guarapuava, próximo à Praça Oswaldo Cruz. No local, não foram encontradas substâncias entorpecentes, mas a caracterização da sauna como local de prostituição levou o dono do estabelecimento para o xadrez.

Joelmir Adilson Valério, conhecido como Joel, saiu da Sauna Imperial algemado, junto com a gerente e a caixa. Os três foram levados para a Central de Polícia, onde seriam autuados pelo delegado Silvan Rodnei Pereira. Trinta garotas de programa que trabalhavam no local também foram levadas para a delegacia, em um ônibus do Grupo Tigre. Oficiais de Justiça apreenderam documentos, alvarás, dinheiro do caixa, o computador e fotos de garotas seminuas para averiguação.

Crimes

O delegado Luiz Antônio Zavataro, que comandou a operação, disse que o fato de a Sauna Imperial se caracterizar como local de prostituição representa infração penal. “O proprietário pode ser enquadrado por favorecimento à prostituição e por manter casa de prostituição. São dois crimes”, explicou.

Quando os policiais chegaram, cerca de trinta garotas estavam no bar da Imperial, aguardando clientes. Havia alguns homens bebendo e outros fazendo sauna. Até ali, não haveria nada de irregular, uma vez que o local possui alvará para bar e sauna. O problema está no segundo andar da Imperial, onde há seis quartos, reservados para as práticas sexuais com as prostitutas que se oferecem no bar. Em um desses quartos, um cliente promovia uma “suruba” com três garotas. Em outro havia um casal.

Esquema

O esquema da Sauna Imperial não é diferente do de dezenas de outras boates, saunas, casas de shows e estabelecimentos similares que existem na cidade. No bar, as garotas se oferecem. Os clientes, depois de beber e escolher a prostituta, devem levá-la a um dos quartos do local. É proibido, pelas regras não-escritas da casa, sair dali com a garota para consumar a relação sexual em um hotel ou motel.

O preço do programa pode variar de R$ 100,00 aR$ 350,00, dependendo do tipo de prática sexual combinada, do lugar e do grau de “valorização” da prostituta no mercado. A garota fica com o dinheiro do programa. A casa lucra com a venda das bebidas – geralmente a preços bem mais altos do que os praticados no mercado – com o aluguel dos quartos, que varia entre R$ 20,00 e R$ 40,00, e com a taxa cobrada para o uso da sauna.

Drogas

“O problema desses locais, além da prostituição, é que se tornam alvo de traficantes e foco de usuários. Geralmente a prostituição está associada ao uso de entorpecentes, tanto por parte das garotas de programa quanto dos clientes”, observou o delegado titular da Dinarc. “Os proprietários das casas em sua maioria, sabem do consumo de drogas e são coniventes”, comentou Zavataro.

A história contada pela mãe de uma prostituta, em carta enviada à Ouvidoria das Polícias, ilustra bastante bem a situação. A mulher pedia que a polícia agisse para coibir a prostituição e o tráfico de drogas porque a filha começou a vender o corpo na Sauna Imperial, em busca do dinheiro “fácil”. Ali, a garota começou a usar drogas, dizia a carta. Ela ainda trabalhou em diversas outras casas, fazendo programas, até terminar a “carreira” da forma mais triste possível: infectada pelo vírus da Aids, atualmente está em estado terminal, sendo cuidada pela mãe.