Continuam nebulosas as investigações para apurar o motivo e a autoria da brutalidade cometida contra a estudante de Educação Física, Ana Cláudia Caron, 18. Na tentativa de identificar os assassinos, ontem o delegado Rubens Recalcatti, titular da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), divulgou o retrato falado de um deles.

Segundo Recalcatti, a partir das descrições das testemunhas, que viram Ana Cláudia ser levada pelos marginais na noite de terça-feira, o retrato falado foi feito com 90% de precisão.

O criminoso descrito aparentava ter 17 anos, 1,60 metro e 60 quilos. Ele trajava bermuda com bolsos e camiseta com cores escuras, tênis tipo de skatista e touca verde com listras.

Trabalho

Desde quarta-feira, quando o corpo da jovem foi encontrado queimado com gasolina, com um tiro na boca e sinais de asfixia, em um matagal em Almirante Tamandaré, várias delegacias especializadas e a Polícia Militar trabalham sem pausa em buscas dos criminosos.

Foto: Fábio Alexandre

Família e amigos farão protesto no Centro.

A polícia não divulgou o andamento das investigações, mas de acordo com o delegado Riad Braga Farhat, do Grupo Tigre, uma das hipóteses é que a estudante foi vítima de seqüestro relâmpago frustrado. ?Um das linhas é que quando os bandidos perceberam que Ana Cláudia estava sem os cartões bancários, resolveram continuar com ela por ser uma moça muito bonita. Abusaram sexualmente e depois a mataram para que não fossem reconhecidos?, disse o delegado.

Vingança também é outra hipótese averiguada. Outro fato que intriga é que o carro dela, o Palio azul placa AKI-5603, ainda não foi encontrado. Até ontem, 15 pessoas já foram detidas, mas todas foram soltas por falta de provas que as ligassem ao crime.

Dor

Em meio à caçada aos criminosos, a família amarga dor e revolta. Ontem, no enterro da estudante, parentes e amigos vestiram camisetas com a foto de Ana Cláudia e pediram por justiça.

No site de relacionamento Orkut, foram enviadas várias mensagens de solidariedade à família, em uma rede de pessoas dispostas a ajudar a polícia.

A academia, onde a estudante treinava, foi fechada por motivo de luto. Hoje, famílias e amigos irão participar de uma manifestação no centro de Curitiba.

Seqüestro

Segundo a polícia, o seqüestro aconteceu por volta das 19h de terça-feira, quando Ana Cláudia chegou na academia que treinava, na Rua Paula Gomes, quase esquina com a Mateus Leme, com o namorado. Cada um estava em um carro. A estudante achou uma vaga para estacionar, enquanto o namorado deu a volta na quadra para encontra um lugar. Quando ele chegou na rua da academia e viu que o carro da namorada não estava ali, testemunhas contaram que ela havia sido levada por dois criminosos. ?Um deles estava com uma pistola niquelada. Enquanto um entrou no banco de trás, deu uma gravata na menina e apontou a arma, o outro sentou no banco do passageiro e ordenou que ela seguisse com o carro?, contou o delegado.

O veículo foi flagrado pelo radar em frente à Ópera de Arame, minutos depois do seqüestro.