Um trabalho do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE) na madrugada de ontem fechou dois cassinos clandestinos que funcionavam em bairros nobres de Curitiba.

Através de denúncias anônimas, os policiais chegaram até o primeiro endereço, na Rua João Guilherme Guimarães, próximo da Avenida Manoel Ribas, nas Mercês, pouco depois da 0h. A casa de alto padrão tinha uma atividade discreta, imperceptível para os vizinhos.

A equipe do COPE aproveitou a entrada de alguns clientes para invadir o estabelecimento. Cinco pessoas jogavam nas máquinas caça níqueis e três pessoas que trabalhavam no local foram detidas. Elas assinaram termo circunstanciado por exploração de jogos de azar e foram liberadas. Em depoimento, elas declararam que o proprietário da casa de jogos é de Santa Catarina.

Foram apreendidas 33 máquinas caça níqueis. “A casa funcionava da mesma maneira que tantas outras. Os clientes sentavam em cadeiras absolutamente confortáveis e tinham à disposição uma mesa com doces e salgados, para consumo livre. Também eram servidas bebidas, alcoólicas ou não”, explica o delegado Kleudson Moreira Tavares, que era da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) e foi transferido nesta semana para o COPE.

Outro

Horas depois, outra equipe do Cope seguiu para o segundo endereço denunciado, na Rua Desembargador Costa Carvalho, no Batel. A jogatina acontecia no segundo andar de um pequeno prédio, e o acesso ao apartamento era cercado de portões altos e diversas câmeras de segurança.

Assim que os policiais chegaram, todos que estavam na casa conseguiram fugir. Foram apreendidas 21 máquinas caça níqueis, além de diversas placas de reposição, que são sistemas de informática onde são configurados os parâmetros de funcionamento dos jogos.

A pessoa responsável pela casa de jogos morava no apartamento e já foi identificada. Ela será intimada para assinar o termo circunstanciado. Cheques e máquinas de cartão de crédito, tanto no Batel quanto nas Mercês, foram apreendidos e serão investigados. As máquinas caça níqueis passarão por perícia no Instituto de Criminalística, onde o dinheiro de cada equipamento será recolhido e contado.

Operação

Apesar da afirmação de vários investigadores de que a ação foi em decorrência da Operação Padrão, deflagrada juntamente com o indicativo de greve dos policiais civis, o delegado titular do COPE, Alexandre Macorin, garante que a assembléia da classe não tem nenhuma relação com a operação.

“Tentamos entrar nas duas casas na terça e na quarta-feira pela manhã, mas os estabelecimentos estavam vazios. Acreditamos que a greve dos ônibus tenha prejudicado o movimento pela falta de funcionários. Retomamos a operação assim que os ônibus voltaram às ruas”, explica.

Dificuldade

Segundo Macorin, existem casas de vários tipos de jogos em Curitiba, e as investigações para localizá-las continuam. “A nossa dificuldade maior é que a própria vítima, que neste caso é o cliente das casas de jogos, não quer que a polícia descubra a atividade ilícita. Quando algum jogador chama a polícia é porque já chegou ao extremo do vício e perdeu o controle dos gastos”, explica o delegado.

Geralmente os proprietários dos estabelecimentos são as mesmas pessoas, ainda que os endereços mudem. “É comum que eles aluguem dois ou três casas e mudem de uma para outra quando percebem alguma movimentação policial próxima. Os clientes são informados através de uma rede de contatos”, afirma o delegado.

Entretanto, os verdadeiros proprietários pagam “laranjas” para assumirem a propriedade dos locais através de contratos de aluguel, já que a pena é branda ,quando não há reincidência.