As ruas do Conjunto Tramontina, na divisa da Cidade Industrial com o Campo Comprido, transformaram-se em verdadeiro cenário de guerra, na madrugada de ontem.

Pouco depois das 3h, homens armados desceram de um veículo e partiram na direção de quatro rapazes, que estavam no matagal ao lado de uma cancha de futebol. Houve correria, perseguição e muitos tiros foram ouvidos pela assustada vizinhança.

A fuzilaria terminou com a morte de Maikon Diego Guimarães da Silva, 22 anos, e Fábio Machado de Oliveira, 23. Além deles, Cláudio Marcelo Marafon, 27, levou vários tiros e foi internado em estado grave, e Dalvo Rodrigues dos Santos, 33, foi ferido de raspão. A polícia ainda não tem informações da autoria do crime, mas acredita que tenha sido motivado por alguma desavença envolvendo drogas.

Surpresa

Testemunhas contaram à polícia que os quatro estavam conversando e usando drogas, no matagal ao final da Rua Irmã Sofia Rieche. De repente, cinco homens, todos armados, se aproximaram e, sem falar nada, começaram a atirar na direção dos amigos. O grupo se dispersou e iniciou fuga, porém houve perseguição e mais tiros foram efetuados.

Maikon e Cláudio correram em direção à cancha de areia, em frente à Associação de Moradores do Conjunto Tramontina, mas não conseguiram escapar e levaram vários tiros. Atingido na cabeça, na barriga e nas pernas, Maikon tombou atrás do alambrado da cancha.

Cláudio, ferido por cerca de seis tiros, foi socorrido pelo Siate no gramado próximo à cancha. Ele foi encaminhado ao Hospital Evangélico, onde passou por cirurgia e corria risco de morrer.

Raspão

Fábio fugiu pelo outro lado. Atravessou o matagal e correu por mais uma quadra. Porém, também foi perseguido e não escapou da morte. Foi baleado nas costas e morreu na Rua Salvador Gonçalo de Christo.

O único que se safou foi Dalvo. Embora tenha levado um tiro, foi atingido apenas de raspão no ombro esquerdo, e conseguiu se esconder numa residência abandonada. Ele foi internado sem gravidade no Hospital do Trabalhador.

Droga escondida no corpo

O superintendente Odimar Klein, da Delegacia de Homicídios, acredita que o crime tenha relação com o tráfico de drogas. Um dos indícios que apontam para essa hipótese é que cinco pedras de crack foram encontradas nas partes íntimas de Maikon, durante a limpeza do corpo, no Instituto Médico-Legal.

“Pode se tratar de uma briga por ponto de tráfico, mas ainda é cedo para afirmar. Nos próximos dias, iremos ouvir o Dalvo, que será peça-chave na elucidação do crime”, informou Klein.

No local do crime, foram recolhidos quatro estojos de pistola calibre 40. Populares comentaram que os atiradores teriam chegado ao local num carro, possivelmente um Gol, porém a polícia não confirmou a informação.