Uma auxiliar de enfermagem e um médico do Hospital Evangélico foram indiciados pela morte de João Carlos Siqueira Rodrigues, 38 anos, que ficou mais de quatro anos internado por conta de uma doença degenerativa e teve os aparelhos desligados. Segundo informações do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa), onde o inquérito foi instaurado, a auxiliar de enfermagem que teria desligado os aparelhos que mantinham João Carlos vivo foi indiciada por homicídio doloso (quando há intenção de matar). O médico responderá por falsidade ideológica, já que atestou o óbito do paciente com informações inverídicas.

O indiciamento ocorreu há cerca de dois meses, mas só foi comunicado na sexta-feira (7) à imprensa. Sindicância interna do hospital revelou que a morte de João Carlos foi ocasionada por “ato falho de um profissional”. Segundo a delegada Paula Brisola, a auxiliar, que não teve o nome divulgado, confessou o desligamento dos aparelhos por ordem de outro funcionário. Essa pessoa também foi ouvida e afirmou que pediu apenas que ela retirasse a sedação do paciente.

João sofria de uma doença degenerativa e incurável, chamada de polirradiculoneuropatia inflamatória crônica, que limita progressivamente os movimentos. Em agosto do ano passado, ele escreveu um livro relatando sua experiência como portador da doença.

Virgínia

O Nucrisa informou que não existe relação entre a morte de João e outros óbitos investigados no caso da médica Virígia Helena Soares de Souza, diretora da Unidade de Terapia Intensiva Geral (UTI) do hospital, presa por suspeita de apressar mortes de pacientes. Ela responde ao processo em liberdade.

Nesta semana, o Hospital Evangélico reabriu a sindicância que apura sete mortes de pacientes. O processo estava parado porque os funcionários do hospital não tiveram acesso às cópias dos prontuários médico. Ainda não há data para o término da sindicância.