Com apenas uma hora de diferença, duas pessoas foram assassinadas a tiros no Cajuru, na noite de sábado. A primeira vítima foi o auxiliar de produção Everton Carlos Ribeiro, 17 anos.

Com tiros na nuca, ele foi morto na Travessa Mainardi, na Vila Trindade, por volta das 21h10. Depois dele, o açougueiro Davyd Correa Alves, 25, morreu com um tiro no pescoço na Travessa L, quase esquina com a Travessa G, na Vila Autódromo, por volta das 22h10. A proximidade de horários e locais levou a investigação da Delegacia de Homicídios (DH) a interligar os casos afirmando tratar-se de uma briga de gangues.

No entanto, familiares que estiveram no Instituto Médico-Legal, na manhã de ontem, disseram não existir relação entre os dois mortos e que as famílias das vítimas sequer se conheciam.

Wilson Antônio Ribeiro, pai de Everton, contou que seu filho estava em casa, na noite de sábado, brincando com o irmão no computador. Um rapaz, de nome Rogério, chamou Everton no portão e ficaram conversando por cerca de 15 minutos.

O jovem entrou e poucos minutos depois um outro rapaz, com o mesmo nome que o dele, convidou-o para sair. Vinte minutos depois, algumas pessoas bateram na porta da casa para avisar que Everton havia sido morto. ?Não sei o que esse Everton falou para convencer meu filho a sair. Ele foi o pivô do assassinato?, alegou Wilson.

Drogas

A polícia apurou que Everton foi visto, por testemunhas, correndo do autor do crime. Cinco disparos foram ouvidos e três deles acertaram a nuca do auxiliar de produção, que caiu em frente à casa de uma vizinha.

O pai da vítima ainda contou que seu filho, no passado, já foi internado várias vezes para se tratar do vício das drogas.

?Hoje em dia, se ele usava, era muito pouco?, afirmou Wilson, que suspeita que seu filho foi morto por traficantes. ?Tanto na época que ele era viciado quanto agora, meu filho estava sendo ameaçado pelos traficantes. Com certeza é alguma bronca de drogas?, disse o pai. A polícia já tem o nome de um vendedor de entorpecentes da vila, que é apontado como autor do assassinato.

Autódromo

Enquanto investigadores da DH atendiam o assassinato de Everton foram acionados para atender outro caso de homicídio, ocorrido não muito longe dali. Dayvid foi morto enquanto andava na rua. Populares contaram aos investigadores que ouviram cinco tiros, e também revelaram à polícia o nome dos dois supostos matadores.

Os investigadores contaram que a morte de Everton, provavelmente, foi motivada pelo vício em drogas.

Porém, revoltados com a morte do auxiliar de produção, integrantes de uma gangue da Vila Trindade se armaram e dirigiram-se à vizinha Vila Autódromo, onde teriam vingado a morte executando Dayvid.

Apesar da suposição, familiares de Dayvid desmentem a versão da polícia.

Eles contaram que, há algum tempo, o açougueiro se desentendeu com um bandido da vila, acusado de vários crimes e mortes. Desde a confusão, Dayvid vinha sendo ameaçado de morte e chegou a ter sua casa arrombada pelo bandido.

O final do entrevero ocorreu na noite de sábado, com a execução do açougueiro, que segundo a família, não tinha envolvimentos com drogas nem conhecia Everton.