Foto: Walter Alves

José foi seguido da agência bancária até sua empresa.

Nem mesmo a grande movimentação de pessoas no centro de Curitiba impediu que o empresário José Sérgio Levek, 56 anos, fosse assassinado com um tiro no coração, no final da manhã de ontem. Dono de uma loja de serviços de telecomunicação, o homem havia sido assaltado minutos antes e foi baleado ao tentar recuperar  o dinheiro roubado. Apesar da ajuda de uma equipe do Siate, não foi possível salvar a vida de José, que morreu no meio da Rua Saldanha Marinho, quase esquina com a Alameda Cabral. Informações colhidas com funcionários da loja davam conta que o empresário tinha sido roubado em cerca de R$ 7 mil.

Por volta das 11h30, uma funcionária da empresa de José, a Setel Telecomunicações, sacou dinheiro no Banco Itaú, na Rua Doutor Muricy, e telefonou para que o patrão fosse buscá-la. Sem perceber, José e a funcionária, em um Palio, passaram a ser seguidos por dois indivíduos em uma motocicleta e, quando chegavam ao estacionamento da loja, na Alameda Princesa Isabel, foram abordados.

?Um deles permaneceu na moto e o outro, armado, deu voz de assalto, pedindo a bolsa com o dinheiro. José saiu do carro, com as mãos na cabeça, e entregou a bolsa?, relatou Silvana Rosa Ganho, funcionária que estava na loja no momento do roubo.

Morte

O crime de ontem não passaria de um assalto, não fosse a reação instintiva de José. Ao ver os bandidos fugindo com o dinheiro do pagamento de seus funcionários, o empresário não se conteve e perseguiu os marginais. ?Ele entrou no Palio e foi atrás deles?, contou Silvana. De acordo com testemunhas, quando se aproximou da motocicleta, a vítima do assalto desceu do carro e partiu em direção aos indivíduos. Algumas pessoas comentaram que a moto teria sido derrubada pelo veículo, mas ninguém soube confirmar se houve luta corporal entre os envolvidos.

?Como foi prestado socorro à vítima, as roupas dele foram rasgadas, impedindo que analisássemos se houve ou não briga?, explicou a perita Jussara Joeckel, do Instituto de Criminalística. ?O que sabemos é que ele foi atingido por um disparo fatal no coração, que causou a morte instantânea?, completou.

Placa da moto e câmeras vão ajudar a polícia

Por se tratar de um crime de latrocínio (roubo com morte), o caso será investigado pela Delegacia de Furtos e Roubos (DFR).

Os investigadores Righetto e Jovânio, sob o comando do delegado Maurílio, já iniciaram o trabalho. ?A partir das características da motocicleta, uma CG 150 preta, placa ALW-3515, chegamos até um endereço que está sendo checado?, contou o delegado-titular da DFR, Rubens Recalcatti. A polícia também contará com a ajuda de comerciantes da região, que afirmaram ter imagens do momento do disparo, obtidas por câmeras de segurança instaladas na rua.

Bancos sob investigação

Patricia Cavallari

Foto: Walter Alves

Recalcatti fecha o cerco.

A seqüência de roubos que vem acontecendo na saída de bancos, como o que vitimou o empresário José Levek, levanta a suspeita de que haja conivência de empregados das agências com assaltantes. Por conta disso, o delegado Rubens Recalcatti, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, concentra parte das investigações no interrogatório aos funcionários e promete fechar o cerco às agências bancárias.

O gerente do Banco Itaú, de onde a funcionária de José sacou R$ 7 mil, já foi intimado a comparecer na delegacia. A polícia não descarta a possibilidade de algum funcionário ter informado os marginais do saque. Nesta mesma linha, também seguem as investigações ao roubo que aconteceu no dia 22 de agosto, quando o investigador aposentado César Abilhoa foi roubado depois de sacar R$ 9 mil de um agência do mesmo banco. César apanhou o dinheiro em um biombo, nas dependências da agência do Portão, na Avenida República Argentina, e nenhum outro cliente o viu guardar a quantia nos bolsos.

No dia 10 deste mês, o bancário Laércio Xavier Cunha, 28, foi preso depois que policiais descobriram que ele telefonava para um criminoso, passando as características do cliente e a quantia retirada do banco.