Vítima teve mãos e pés
amarrados com cordas de náilon.

Amordaçado, com os pés e mãos amarrados com cordas de náilon, o mecânico João Alves de Souza, 45 anos, foi encontrado morto no início da tarde de ontem, na valeta de um terreno baldio, na Rua Humberto Castelo Branco, Vila Amélia, atrás do Carrefour, em Pinhais. Em adiantado estado de decomposição, o cadáver estava coberto por folhas secas e entulhos, dificultando a localização.

Ontem também foram até a Delegacia de Homicídios duas pessoas que compraram o carro de mecânico, o Fiat Uno, placa AVV-0020. Elas confirmaram que quem estava vendendo o veículo era Miguel Florêncio do Nascimento, que seria o autor do assassinato.

Achado

O superintendente Cordeiro, da delegacia de Pinhais, disse que uma pessoa telefonou anonimamente indicando o local onde estava o corpo. “A Polícia Militar já havia recebido uma ligação anônima no domingo. Talvez até da mesma pessoa, mas não conseguiu localizar a vítima. Agora ligaram para a delegacia”, relatou Cordeiro. O corpo foi bem escondido pelos assassinos e a localização só foi possível devido ao forte odor que exalava.

O perito Alcebíades Rodrigues da Costa Neto, da Polícia Científica, disse que devido ao estado de decomposição da vítima não foi possível constatar a causa da morte, que pode ter sido um tiro na cabeça. “Vamos aguardar os exames complementares”, frisou.

Carro

O superintendente Neimir Cristovão, da Delegacia de Homicídios, informou que pouco antes de o corpo ser achado, duas pessoas estiveram na especializada para informar que, no último dia 15, compraram o Fiat Uno, que pertencia a vítima. “Eles compraram na pedra em Pinhais. O recibo do veículo estava assinado e iriam pagar R$ 5 mil pelo carro. Mas desconfiaram e pediram a presença do proprietário, que deveria fazer uma declaração em cartório. Provavelmente o criminoso obrigou a vítima a assinar o documento antes de matá-la”, relatou o policial. Para garantirem o negócio os compradores deram a entrada de R$ 1.500,00 para Florêncio e marcaram um novo encontro com Florêncio, que seria na segunda-feira, onde entregariam o restante, mas ele não apareceu.

Os compradores do veículo informaram à polícia que só tomaram conhecimento que o carro pertencia a uma pessoa desaparecida através da imprensa, e resolveram procurar a polícia para esclarecer o que aconteceu. “O Florêncio já era o principal suspeito. Com todos esses indícios iremos pedir a prisão preventiva dele”, salientou Neimir.

Revolta

O irmão da vítima, Valdir Alves de Souza, compareceu ao local do encontro para reconhecer o corpo. “O que fizeram com o meu irmão? Isso não é justo. Esse Florêncio tem que pagar e caro por isto”, desabafou. Ele lembrou que seu irmão desapareceu no último dia 13, após ter um desentendimento com Florêncio, que trabalhava na oficina havia pouco tempo. “Ele matou para roubar o carro e R$ 500,00 que meu irmão tinha no bolso”, argumentou Valdir.

Familiares de João chegaram a ver o carro na garagem da casa de Florêncio, que já esteve preso por homicídio. Mas quando retornaram com a polícia o acusado já tinha desaparecido.