O enfermeiro que fez a triagem para o atendimento de Maria da Luz das Chagas dos Santos, 37 anos, que morreu em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Fazenidnha, em junho deste ano, foi indiciado por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar). O delegado Francisco Caricati, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), entendeu que o profissional, poderia, no mínimo, ter adiado a morte da paciente, caso ela fosse tratada de outra maneira.

No dia 23 de junho, Maria chegou à UPA com dores de cabeça, no peito e com a pressão alta, por volta das 19h. Mesmo diante dos sintomas, segundo o delegado, ela foi classificada como paciente não urgente. Três horas depois, saiu para ir à farmácia e morreu. A causa da morte foi um aneurisma.

Conforme Francisco, o enfermeiro indiciado, que tem mais de 23 anos de experiência na profissão, foi a única pessoa da unidade que teve contato com Maria, durante a triagem. Ele acredita que, se o funcionário tivesse tomado certas providências, a morte da paciente poderia ser evitada. “Ele teria que ter administrado um medicamento anti-hipertensivo e colocado ela deitada, para que o estresse e os níveis de adrenalina dela diminuíssem”, explicou.

O enfermeiro não chegou a ser preso e deve responder o processo em liberdade. À polícia, ele alegou que cumpriu as normas do protocolo de classificação de risco usadas pela Secretaria de Saúde. “Realmente, eu vi pelo protocolo que ele tinha certa razão. Mas o fato é que pela experiência, ele deveria necessariamente ter outra iniciativa naquele momento”, comentou Francisco.

A Secretaria de Saúde informou que, até o final da tarde dessa segunda-feira, não recebeu o comunicado oficial e, por isso, não comentaria a conclusão do inquérito da morte de Maria.

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