Ver um casal de estranhos ocupando a casa que construiu com grande esforço foi motivo de incômodo e prejuízo para uma engenheira civil de Curitiba. Porém, o transtorno deixou a profissional com R$ 5 mil a menos na conta bancária e sentimento de medo e injustiça que quase a resignou ao silêncio. Ela contou que, depois de ser desamparada pela polícia e consultar advogados, que cobraram quase o dobro deste valor para expulsar o casal suspeito de invasão, obrigou-se a dar o dinheiro para que fosse embora de vez.

O sobrado foi construído no ano passado, no Cajuru, e a engenheira tinha intuito de presentear a filha. Em dezembro, quando a obra ficou pronta, colocou as chaves na responsabilidade de uma imobiliária, para alugar o imóvel até que a filha casasse. Até março, segundo a corretora, 12 interessados tiveram acessos à cópia da chave para visita.

No fim daquele mês a engenheira resolveu vender o sobrado e conseguiu fechar negócio em pouco tempo, com uma moradora da mesma rua do imóvel. Em maio, antes de receber o pagamento, a proprietária atendeu ao telefone com a compradora do outro lado da linha questionando se ela tinha voltado atrás na transação. “Ela foi quem me avisou que o casal tinha estacionado o caminhão de mudança e feito a ocupação rapidamente. Queria saber se tinha alugado para eles e eu disse que não. Desliguei e fui imediatamente ao Cajuru”, relembrou a dona da casa invadida.

Contrato

O casal mostrou a ela suposto contrato de aluguel, assinado apenas por eles, os locatários. Disseram ter acertado aluguel de R$ 800 mensais com um homem que se dizia proprietário. “Alegaram ter encontrado o anúncio do imóvel em um site de classificados na internet. Mais tarde, vasculhei o site indicado, que é bem famoso, mas não encontrei nada. Mesmo assim, eles não queriam deixar o sobrado, sob alegação de não ter para onde ir. Além disso, diziam já ter pago dois meses adiantados ao falsário. Então propuseram que eu pagasse R$ 3 mil para que deixassem a casa”, disse a proprietária.

A engenheira chamou a polícia e, segundo ela, um policial militar apareceu sozinho em uma viatura, dizendo ser sobrinho do casal. “Não me ameaçou declaradamente, mas disse para deixar os tios dele ali. Dizia que eram boa gente e que eu não devia me preocupar”. Durante a intervenção do sobrinho, o casal afirmou fazer parte da maçonaria e usou este argumento tentando conquistar a confiança da mulher.

Custo

Diante disso, ela procurou advogado. “Disseram-me que eu teria de entrar na Justiça, pedindo reintegração de posse e poderia demorar. Somei os honorários cobrados e percebi que valia mais a pena pagar os invasores para ter meu imóvel de volta e restabelecer a confiança da compradora”, explicou a proprietária.

Entregou R$ 5 mil ao casal e eles deixaram o sobrado em dois dias. “Me sinto injustiçada. Eles invadiram usando argumento de ter encontrado anúncio na internet e com um contrato falso conseguiram até liberação das ligações de água e luz. A fatura estava no nome deles. Foi um golpe muito bem armado”, classificou a vítima. A justificativa dela para não registrar o crime na delegacia foi à desconfiança despertada pela atitude do policial, que afirmou ser sobrinho do casal suspeito de golpe. “Eles disseram ser vítimas tanto quanto eu”.

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