Maria Helena Jordão Apolinário, 18 anos, e Ana Francesca Santos da Silva, 25, foram presas em flagrante na tarde de ontem, pelo delegado José Mário Franco, da delegacia do Alto Maracanã, em Colombo. Elas tentaram entregar o "almoço" a Leonardo Cícero Vicente -preso desde o dia 1.º de agosto por furto – como faziam diariamente, porém foram desmascaradas. A marmita tinha um fundo falso com quatro tabletes de maconha (160 gramas). Levada à cozinha da delegacia, a marmita de plástico teve que ser arrebentada, pois estava habilmente colada ao fundo falso.

Logo que descobriram a droga, os policiais correram atrás das mulheres e as capturaram a 350 metros da delegacia. Autuadas por tráfico de drogas, foram encaminhadas à carceragem feminina da delegacia de Quatro Barras. Maria Helena, a "Leninha" (namorada) e Ana (irmã do preso) não têm passagem pela polícia e poderão pegar de 3 a 15 anos de cadeia. Já Leonardo, o destino da "marmita", possuía diversos delitos em sua ficha criminal, e agora também responde por uso e tráfico de drogas.

Entrega

Após uma denúncia anônima, dando conta de que as mulheres entravam na delegacia com drogas dentro de comidas e órgãos genitais, policiais passaram 15 dias monitorando-as. O investigador Valdir Bicudo conta que, na última terça-feira, desconfiou delas. Porém mesmo não encontrando nada durante a revista, não as deixou entrar, o que causou grande confusão. Três dias depois, finalmente, a polícia as pegou com a droga e duas cartas no fundo falso da marmita.

Cartas

Escritas à mão, as mensagens que seriam entregues a Leonardo possuíam códigos. Uma das cartas é assinada por "Preta Vida Loka", que na verdade não é uma pessoa, e sim, um código. Diversas informações, esclarecidas pelas detidas, confessam o tráfico de drogas e a entrega da maconha na delegacia. Uma segunda carta, também endereçada a "Leo", conta que todos estão com saudades do detido. "Estamos te esperando pra fumar um baseado e ficar chapados (sic)". Essa mensagem é assinada por Márcia, Flaviani (Lola), Leninha (a namorada de Leonardo), Anderson e Feio.

Com as cartas os policiais descobriram que as mulheres faziam parte de uma quadrilha que traficava drogas no Jardim Eucaliptos, em Colombo, e que as pessoas que assinaram a carta fazem parte da quadrilha. Ao seguir rumo ao Jardim Eucaliptos, após a prisão de Ana e Maria Helena, os policiais do Alto Maracanã já não encontraram mais ninguém da quadrilha.

Um comerciante relatou à polícia que os traficantes desapareceram, e que a quadrilha finalmente foi desarticulada com a prisão da dupla. Bicudo acredita que a prisão dos outros integrantes é uma questão de tempo.