A chuva durante praticamente toda a tarde de ontem sobre Curitiba e região provocou a morte de Sandra da Luz dos Santos, de 11 anos, no Jardim Gramado, em Almirante Tamandaré.

A garota foi arrastada pela correnteza de um córrego. Uma amiga, 9, foi salva por dois colegas e levada ao hospital municipal. As duas meninas tinham saído da escola e retornavam para suas casas quando foram surpreendidas pela água.

Dois adolescentes viram as meninas em apuros e tentaram salvá-las, mas só a mais nova conseguiu. Sandra foi carregada por mais de 400 metros e ficou desaparecida por quase uma hora. Quando policiais do 17.º Batalhão chegaram no local, ela estava morta.

Os moradores reclamaram, não só pela morte da garota, mas por tudo que falta na vila. “Não temos calçadas, asfalto, saneamento básico. Estamos abandonados pelo poder público. É uma falta de respeito deixar o corpo de uma criança, na chuva, jogado no canto da rua por tanto tempo. Ela morreu às 17h e até quase 22h o IML ainda não apareceu”, reclamou uma moradora.

Alagamentos

Bairros da região norte tiveram diversos alagamentos e, em alguns casos, deslizamentos, como na Rua Coronel Carlos Vieira de Camargo, em Santa Felicidade.

No Pilarzinho e Santo Inácio, equipes do Corpo de Bombeiros ficaram de prontidão para retirar moradores de situações de risco caso houvesse necessidade. Em Campo Largo, Almirante Tamandaré e Campo Magro o temporal também causou alagamentos e deslizamentos.

Moradores da Rua Vilma Cezarini Stingle, na Vila Nova Barigui, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ficaram indignados com mais um rápido alagamento que deixou a situação ainda pior no local.

Na Rua Reinaldo Hecker, no São Lourenço, moradores alegaram que a água atingiu 50 centímetros de altura. O parque que leva o mesmo nome do bairro também ficou alagado.

Protesto no Bom Retiro

Leonardo Coleto

Revoltados com os problemas provocados pela chuva de ontem, moradores e comerciantes do Bom Retiro queimaram pneus no Largo José Zanatto, entre as ruas Carlos Pioli e Ângelo Zenni. Quem vive naquela quadra conta que esse é o terceiro alagamento neste ano. O último aconteceu há dois anos.

O empresário Gerson Luiz Ferreira contou pelo menos R$ 6 mil em prejuízo neste ano por causa dos alagamentos. “A água já alcançou 1,5 metro na minha loja. Toda vez que chove mais forte é isso que acontece. Não sabemos mais o que fazer”, afirma o empresário.

Gerson, que também é engenheiro, a construção da bacia de contenção poderia resolver parte do problema. “Já apresentamos esse projeto para a prefeitura e não tivemos retorno. É complicado”, afirma o comerciante que perdeu R$ 53 mil em equipamentos dois anos atrás.

Proteção

O morador Jefferson Turbay conta que fica ansioso, preocupado e temeroso quando o céu começa a escurecer. “Não consigo pensar em outra coisa se não salvar a minha família. É muito perigoso. Felizmente dessa vez a água não entrou na minha residência, mas temos que andar preparados caso aconteça algo mais grave”, ressalta.

A prefeitura explica que o Rio Pilarzinho, que passa na região, está estrangulado, aumentando os alagamentos. Para evitar essa situação, a prefeitura disse que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) está estudando projeto de obra no leito do rio. Depois que o projeto for definido a obra irá para licitação, o que pode acontecer ainda neste ano.