Foto: Walter Alves

Por onde passou, Andrey deixou um rastro de sangue.

Durou alguns minutos a liberdade do detento Andrey Luiz de Silva Teixeira, 35 anos. Preso na Colônia Penal Agrícola (CPA), ele ganhou benefício e saiu de portaria às 10h de ontem. Porém, logo após cruzar a Avenida Brasília, que margeia o complexo penitenciário, na Vila Macedo, foi baleado e morreu nos fundos de uma mercearia.

Conforme relatos de testemunhas, depois de passar pela catraca que dá acesso à rua, Andrey iria até o ponto de ônibus. Porém, resolveu parar e conversar com um amigo em frente à Mercearia Oliveira. Fazia 20 minutos que havia saído, quando alguns indivíduos se aproximaram em um veículo, gritaram ?é ele mesmo? e atiraram. O disparo acertou a barriga de Andrey, que entrou cambaleando no estabelecimento, na tentativa de escapar da morte. Um dos inimigos desceu do carro e continuou o tiroteio, baleando a vítima mais quatro vezes, deixando várias marcas de tiro espalhadas pela mercearia.

Ferido, Andrey ainda conseguiu atravessar todo o estabelecimento e entrou na casa dos proprietários, que fica nos fundos. Sem forças e deixando manchas de sangue por onde passava, percorreu a sala e a cozinha e tombou na garagem. ?O local ficou completamente ensanguentado. Ele foi batendo nas paredes e prateleiras?, disse a perita Jussara Joeckel.

Foto: Walter Alves

Andrey levou vários tiros.

Por sorte, a dona da mercearia, que estava no caixa no momento do tiroteio, não foi ferida. ?Ela entrou na casa logo que ouviu os primeiros disparos. Foi um susto muito grande?, contou o marido, João Aparecido da Silva. Proprietário do comércio e taxista, João informou que esta foi a primeira vez que aconteceu um tiroteio nas imediações.

Amigo

A execução ocorreu em frente aos complexos do Educandário e da Colônia Penal Agrícola. O soldado Peter, que trabalha no local, disse que ouviu os tiros, mas quando chegou na mercearia, não havia mais ninguém. O amigo de Andrey correu assim que os atiradores chegaram e se escondeu em uma casa próxima. Depois, fugiu e não foi localizado.

A polícia suspeita que o crime tenha sido encomendado por um inimigo de Andrey, que sabia que ontem ele receberia autorização para deixar a cadeia. A ficha criminal do morto, obtida pelos policiais militares, informava que ele era reincidente: havia sido preso duas vezes na CPA, em novembro de 1997 e em junho de 2004, porém não constava por quais crimes ele foi condenado. Andrey era natural de Paranaguá.