Natalino, viciado, levou
três tiros ao sair de casa.

Uma vida repleta de ligações criminosas chegou ao fim para Natalino Roberto Valentin, 20 anos. Ele foi executado com três tiros pelas costas e deixou para trás, além da dor da família, a conta do advogado que o tirou da cadeia há pouco tempo. O assassinato aconteceu na Rua Fritz Haas, Jardim Holandês, em Piraquara, às 20h30 de segunda-feira. A polícia apurou que o autor do crime é um dos grandes traficantes da região, cujo nome completo está sendo apurado.

Pouco antes de ser morto, Natalino estava em casa e seu pai pediu para que ele não saísse àquela hora e ficasse para jantar. “Fazia uns 20 minutos que ele tinha passado em casa para pegar a jaqueta. Esse horário não dá para ficar na rua, por aqui”, relatou Sebastião Valentin, 57. O homem tinha motivos para temer pela vida do filho. Segundo relatou, na semana passada Natalino tinha apanhado de algumas pessoas. Também tinha pedido R$ 10,00 emprestado para o pai, que deu o dinheiro, sabendo que seria para pagar dívida de droga.

Empréstimo

O uso de entorpecentes foi apontado por Sebastião como a provável causa da morte de seu filho. “Ele trabalhava, catava papel, mas parou e se envolveu em roubo”, contou. Natalino ficou nove meses preso e Sebastião contraiu um empréstimo no banco para pagar o advogado que libertou o rapaz. “Pensei que, como tinha sofrido na cadeia, tinha virado homem e se endireitado. Mas o filho da gente está em casa, vem um vagabundo e tira ele de lá”, lamentava, contando que ainda deve dinheiro ao banco.

Foi Sebastião quem ligou para a polícia, depois de ter recebido, por um vizinho, a notícia da morte do filho. Os soldados Vítor e José Nunes, do 17.º Batalhão da Polícia Militar, atenderam à ocorrência. “Algumas pessoas comentaram ter visto um veículo saindo do local, logo após os tiros. Porém não há evidências suficientes para relacioná-lo ao crime”, disse Vítor.

A perita Vilma, da Polícia Científica, em avaliação preliminar, contou três perfurações a bala nas costas da vítima, depois de levantar a camiseta, na qual estava escrito “Natal Mágico”.

Investigações

O superintendente Valdir Bicudo, da Delegacia de Piraquara, informou que os criminosos eram quatro e ocupavam um Monza preto. “O Natalino já tinha passagens pela polícia por roubo. Além disso estava envolvido com receptação de objetos furtados e roubados, e com o tráfico de drogas”, disse o policial. Ele acredita que Natalino deva ter traído a confiança de um dos seus chefes.

Bicudo comentou que o Jardim Holandês é a área mais crítica da cidade. “O delegado Germínio Marques Bonfim já determinou que os bares fechem às 22h. Isto porque o Jardim Holandês é uma área abandonada e a Polícia Civil tem algumas dificuldades em vigiar a região”, comentou o policial.