Exames toxicológicos também para policiais.

Trinta e dois policiais civis lotados na Divisão de Narcóticos (Dinarc) – entre eles 4 delegados -, submeteram-se ontem à coleta de sangue, no Instituto Médico Legal, para realização de exames toxicológicos. A iniciativa partiu do delegado Luiz Antônio Zavataro, que há menos de um mês assumiu a chefia da divisão e pretende, a partir de agora, incrementar ações de combate ao narcotráfico, principalmente na capital e Região Metropolitana.

Zavataro explicou que os exames não foram obrigatórios e que os resultados só serão do conhecimento dele e dos próprios policiais, particularmente. “Nós temos conhecimento de que, infelizmente, alguns policiais são usuários de drogas. Nossa intenção é diagnosticar o problema e buscar meios para solucioná-lo, encaminhando para tratamento aqueles que necessitarem”, explicou.

Ainda segundo o delegado, não há como deixar um policial com desvios de comportamento trabalhando na Dinarc ou em suas unidades subordinadas, que são a Delegacia Antitóxicos e o Grupo Fera (Força Especial de Repressão Antitóxicos). “O trabalho policial precisa ser sério e eficiente, especialmente nesta área, considerando que as drogas se transformaram em um grande mal social”, afirmou. Caso algum exame tenha resultado positivo, o usuário será encaminhado para tratamento.

Dificuldades

Apesar da boa vontade em melhorar a atuação da Dinarc, o novo delegado sabe que vai enfrentar muitas dificuldades, principalmente de pessoal. “Fiz uma requisição ao delegado-geral para disponibilizar mais investigadores e delegados para a Narcóticos e estamos esperando uma resposta”, salientou.

Somente com o aumento do efetivo é que poderá ser dado início a uma nova etapa de modernização nos métodos de investigação, inclusive com a criação de uma central de inteligência para diagnosticar os locais de tráfico e identificar os principais traficantes.

A central de inteligência funcionará junto à Dinarc, que agora está instalada no sexto andar do prédio da Polícia Civil, na Rua José Loureiro, 540, centro. Já a Delegacia Antitóxicos e o Grupo Fera permanecem no antigo prédio do Batel, na Avenida Bispo Dom José.

A idéia principal é envolver várias equipes num mesmo trabalho. Enquanto a Dinarc identifica os traficantes, o Grupo Fera se ocupa de efetuar as prisões e a Antitóxicos autua os presos. “O traficante que for apanhado passará por todas as equipes e não terá muitas chances de tentar corromper algum policial”, afirmou Zavataro. Também um promotor de Justiça deverá ser convidado a permanecer na Dinarc, para acompanhar todas as ações.