Ao exigirem R$ 3 mil de um traficante, os investigadores Jair César Nunes (lotado no 4.º Distrito Policial – São Lourenço) e Mauro Araújo Brandão Filho (da delegacia de Pinhais), foram presos em flagrante por policiais do Grupo Tático Integrado de Repressões Especiais (Tigre), às 22h de sexta-feira. Eles foram encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil, e autuados em flagrante por concussão (extorsão praticada por funcionário público), pelo delegado Adonai Armstrong. O traficante que estava sendo extorquido, identificado pela polícia pelas iniciais – L.H.P., 46 anos -, foi conduzido ao Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac), instalado no 3.º Distrito Policial (Mercês).

Os investigadores ocupavam uma viatura descaracterizada e abordaram L.H.P. na Travessa Trajano Reis, no centro da cidade. O suspeito era conhecido dos policiais por comercializar drogas na região central. Ele estava portando pequena quantidade de maconha. Os policiais foram até o apartamento dele, nas proximidades, e se apoderaram de R$ 282,00. Depois exigiram R$ 3 mil para liberá-lo. L.H.P. telefonou para a amásia, que trabalha em um ateliê de tatuagem, e explicou o que estava acontecendo. Pediu para a mulher arrumar o dinheiro.

Coincidentemente o delegado Silvio Rockembach estava no ateliê e ouviu quando a mulher foi pedir dinheiro para o dono do estabelecimento. Rockembach interferiu, chamou reforço e foi até o local marcado, no centro da cidade.

Prisão

Quando os policiais do Grupo Tigre chegaram, os investigadores perceberam e tentaram escapar levando junto L.H.P.. Jair e Mauro ainda atiraram contra a viatura do Tigre. Houve perseguição por 300 metros, até que os policiais do Tigre acertaram os pneus da viatura de Pinhais. Jair e Mauro desceram do veículo e se entregaram. Após o flagrante os investigadores foram conduzidos à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, onde permanecem recolhidos. L.H.P., foi levado à Central de Polícia, onde foi feito um termo circunstanciado, por uso de entorpecente. Em seguida, foi liberado.

Reincidente

Jair César Nunes já foi preso pelo Grupo Tigre, em 1997. Na ocasião, ele estava lotado na delegacia de Almirante Tamandaré e foi recolhido junto com outros três colegas de trabalho. Na época, havia gravações telefônicas da delegacia entre os policiais e marginais, que foram presos após troca de tiros com os policiais do Tigre.