Uma nova versão sobre a morte de Anderson Rodolfo da Silva, 20 anos, foi dada ontem, à Tribuna, por familiares da vítima. Para eles, o jovem não morreu em confronto com policiais militares conforme divulgado na edição de ontem. Anderson teria sido executado pelos PMs e a arma – apreendida em poder dele – colocada em sua mão pelos matadores. A demora no atendimento à vítima também foi reclamada.

A grave denúncia partiu dos familiares, que têm receio de formalizar queixa contra os PMs por se sentirem intimidados.

Parentes relataram que Anderson estava na Vila Iná, em Pinhais, quando uma viatura da Polícia Militar passou pelo local. O rapaz, que tinha antecedentes criminais por assalto, saiu correndo, temendo represálias. Os PMs atiraram contra Anderson acertando-o na perna, mas mesmo ferido, ele continuou a fuga e se escondeu. Uma denúncia posterior indicou o esconderijo do jovem, na Rua Adir Pedroso. Lá ele teria sido algemado, mas, ao invés de ser preso, um dos PMs teria dito: "esse queremos morto".

Socorro

Durante a fuga, o jovem ligou para familiares pedindo socorro, pois estava próximo de casa. Logo após os disparos, a mãe da vítima foi até o local prestar assistência ao filho. Porém, ela foi impedida pelos PMs que, diante do tumulto que começara a se formar, colocaram a vítima dentro da viatura e a conduziram para o hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. "Por que levaram para um hospital tão longe, sendo que ele poderia ter sido atendido em Curitiba?", indagou um tio do rapaz.

Outra questão que intriga a família diz respeito à arma apreendida com Anderson. Os parentes afirmam ter testemunhas de que o jovem não portava nenhuma arma no momento da abordagem. "Colocaram a arma na mão dele e deram dois tiros", disse uma prima.

Medo

No velório de Anderson, as intimidações policiais tiveram início. Por volta da 1h, três viaturas da PM, uma delas descaracterizada, apareceram na casa onde estavam reunidos amigos e parentes da vítima, prestando condolências. PMs teriam descido das viaturas e proferido ameaças, inclusive mandando recados para que os amigos de Anderson se cuidassem.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o 17.º BPM já instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. Segundo o comandante do batalhão, Sérgio Vendrametto, Anderson tem várias denúncias contra ele, registradas pelo disque-denúncia, por tráfico de drogas, e passagem na polícia por homicídio e receptação.

A versão dada pela Polícia Militar é que Anderson foi baleado ao reagir a abordagem ocorrida em um bar. Ele estaria com outros quatro indivíduos que fugiram ao avistar a viatura da polícia. O grupo reagiu e Anderson atirou seis vezes contra os policiais. Além disso a assessoria de imprensa informou que os médicos do hospital encontraram pedras de crack no bolso da vítima.