A família de Rachel Genofre, violentada e assassinada aos 9 anos e abandonada em 3 de novembro de 2008 dentro de uma mala na rodoferroviária de Curitiba, entrou ontem (05) com uma ação contra o governo. A família alega que o crime ainda hoje não foi reparado, porque o criminoso não foi encontrado e o corpo da garota sofreu “falhas oficiais”.

“O corpo da menina Rachel foi exposto quando retiraram da mala em frente a todos. Hoje as fotos da tragédia são encontradas em vários sites na internet, a imagem do ocorrido passou a ser de domínio público, além de erros grosseiros e negligências cometidas pela perícia, polícia técnica, IML, entre outros órgãos”, diz a tia da garota, Carolina Genofre. “O maior exemplo do descaso é o saco azul que guardava o corpo, dentro da mala. Segundo relatos o saco foi jogado no lixo, e sacos pretos tiveram que ser emprestados pela administração da rodoviária para que o corpo pudesse ser levado do local”.

Prevenção

Segundo a advogada, Cassia Bernardelli, a ação não visa ressarcimento financeiro pessoal e sim impedir que o Estado cometa os mesmos erros em outros casos. Também tem o objetivo de mobilizar a sociedade para um projeto de segurança pública que seja eficaz em proteger as crianças de crimes semelhantes.

A família reconhece a ação da polícia e o empenho na investigação, mas também acredita que os erros iniciais praticados por funcionários do Estado comprometeram o trabalho dos investigadores. “Sempre voltamos a zero quando uma linha de investigação é concluída, sem nenhuma evidência, prova, ou indício”, afirma Carol Lobo, tia da menina Rachel, que acompanha a investigação. A família da garota quer que uma lei “Rachel Lobo Genofre” seja sancionada para punir o Estado em casos de negligência na proteção à criança.