Parentes de Paulo Henrique de Abreu, 18 anos, procuraram pelo jovem por quatro dias até descobrirem que ele estava morto. Eles receberam denúncias que, horas antes do corpo do rapaz ser encontrado, no Umbará, na segunda-feira, ele foi preso por uma equipe do 13º Batalhão de Polícia Militar, no Caximba.

Paulo saiu de casa na segunda-feira, com um Uno cinza que comprou uma semana antes, afirmando que tentaria trocar de carro, e não deu mais notícias.Índios da aldeia Kakané Porã, na Estrada Delegado Bruno de Almeida, no Caximba, avisaram a família do rapaz que, pouco antes do meio-dia, viram o rapaz ser algemado e levado por policiais militares na frente da aldeia.

Careca

Além da viatura, os índios garantem que viram, deixando o local, o Gol AMD-3198, que havia sido supostamente roubado, e o Uno de Paulo, conduzido por um policial careca. Ainda segundo os índios, um rapaz conhecido como Davi fugiu da abordagem policial e se escondeu em um matagal.

Com base nestas informações, os parentes de Paulo procuraram um advogado para descobrir a delegacia para onde ele teria sido levado e o encontraram ontem, no Instituto Médico-Legal. No dia da suposta prisão, o corpo de Paulo foi encontrado pouco antes das 19h com onze tiros, em um matagal repleto de peças de carro abandonadas, no Umbará, a cerca de seis quilômetros do local da suposta prisão.

Acidente

Paulo era casado, tinha um filho de apenas um ano e seis meses, e trabalhava como técnico de manutenção predial. Ele nunca esteve preso, segundo sua mãe. Na segunda-feira, ele não foi trabalhar porque o despertador do celular não foi acionado, e ele acordou atrasado.

Prisão não foi registrada pela equipe

A equipe da viatura L157 que estava de plantão na segunda-feira registrou que, às 11h15, foi informada que o Gol foi roubado por um homem armado. Os policiais relataram que não localizaram suspeitos, mas encontraram o carro abandonado em frente à aldeia. No boletim de ocorrência consta que o carro foi devolvido para o proprietário, com riscos e sem um farol dianteiro.

A ocorrência foi encerrada às 12h20, sem a prisão de qualquer pessoa. Foi exatamente este o horário que os índios garantem que Paulo foi levado pelos policiais.

Na Delegacia de Homicídios, até a noite de ontem, não havia a informação oficial sobre a suposta prisão do rapaz horas antes do achado do cadáver.

Nota

A assessoria de imprensa da PM disse, em nota, que “a partir do recebimento das informações, a PM vai abrir uma Sindicância para apurar o que houve no local e porque o veículo foi entregue direto ao proprietário sem a devida perícia”.

A nota também informa que a PM “vai colaborar com a Polícia Civil com todas as informações necessárias para que o fato seja esclarecido”.

Denúncia envolvendo policiais militares podem ser feitas diretamente à Corregedoria da PM ou pelo telefone 0800-643-7090, conforme a nota enviada pela Polícia Militar.