João Alves de Souza.

Como tem feito rotineiramente nos últimos sete dias, o técnico em eletrônica Valdi Alves de Souza, 41 anos, procurou pelo corpo de seu irmão – o pintor de automóveis João Alves de Souza, 44 -, no Instituto Médico Legal. De novo sentiu uma ponta de alívio por não encontrar o irmão morto. Mas a cada dia a família tem menos esperança de encontrá-lo com vida. Dono de uma oficina de lataria e pintura na Rua Anne Frank, Vila Hauer, João está desaparecido desde a noite de 13 de maio.

Segundo Valdi, João saiu da oficina às 19h do dia 13, em companhia de seus dois funcionários: Florêncio Miguel do Nascimento, 41 anos, e Róbson Miguel do Nascimento, 19 (filho de Florêncio). Dirigindo seu Fiat Uno azul AVV-0020, o pintor iria deixar os empregados na casa em que moravam, no Bairro Alto, e depois seguiria para sua residência, no Cachoeira, em Almirante Tamandaré. João, casado, pai de três filhos e sem o hábito de dormir fora de casa, não deu mais notícias desde então.

No dia seguinte, parentes do pintor foram atrás de Florêncio, mas a casa dele, que era alugada, estava vazia. “O proprietário disse que Florêncio e o filho apareceram lá com o Uno à meia-noite e disseram que o patrão havia lhes emprestado o carro para fazerem uma viagem”, contou o irmão do pintor.

Homicídio

A família, que registrou queixa do desaparecimento na Delegacia de Homicídios, teme que João tenha sido assassinado para lhe roubarem o carro. “Temos quase certeza”, lamentou Valdi. O Fiat Uno não foi localizado, bem como os documentos do pintor – entre eles o cartão bancário. A conta, porém, não foi movimentada neste período. Também não há notícias dos dois funcionários.

Florêncio, que é natural de Campo Grande (MS) e veio há três anos do interior do Paraná, era considerado violento. O superintendente Neimir Cristóvão, da DH, recebeu uma denúncia de que o suspeito seria autor de um homicídio – mas, oficialmente, ele não tem passagem pela polícia.

Valdi conta que tomou café com o irmão um dia antes do sumiço misterioso e fizeram planos de consertar um carro na quarta-feira, dia 14. “Ele jamais sumiria por conta própria, deixando a família e a oficina abandonadas”, arrematou.