A favelinha existente na Rua Quintino Bocaiúva, no Ahu, onde o porteiro Adilson da Silva foi mantido refém e torturado – antes de ser assassinado com um tiro na nuca, no dia 22 último – demonstrou ontem ser um perigoso ponto de trático de drogas. Enquanto o perito Alcebíades Rodrigues da Costa Neto, do Instituto de Criminalística, fazia levantamentos no barraco em que a vítima ficou trancada, quatro marginais ocupando um Corsa branco, ameaçaram a equipe de reportagem da Tribuna. ?Só não vou dar um pipoco em você porque aqui é sujo. Não esqueça que vocês estão de cara limpa?, disse um dos ocupantes do carro, apontando para o motorista da equipe. Depois, o grupo foi embora, uma moradora recomendou que o veículo da reportagem deixasse o local, dizendo que ali é muito perigoso, principalmente à noite, quando o movimento de pessoas é grande.

O casebre onde teria acontecido a tortura estava revirado, com roupas, objetos e muita sujeira pelo chão, indicando que os moradores fugiram às pressas. Ali moravam Fabiane e o marido, conhecido por ?Atleticano? – ambos suspeitos do crime e foragidos.

Franciele da Silva, 20, conhecida por ?Tetele?, irmã de Fabiane, garantiu que foi ali que a vítima foi espancada e esfaqueada antes de morrer. O irmão delas, que acompanhou o trabalho do perito, contou que foi achada uma camiseta com sangue e que foi queimada no quintal da casa deles. A roupa seria do porteiro. Na segunda-feira a polícia encontrou um par de tênis, que seria de ?Atleticano?, sujo de sangue, que também será periciado.

?Tetele? mora no mesmo terreno que a irmã. Mas a casa dela também estava fechada. Ela prestou depoimento na segunda-feira, no 6.º Distrito, e desde então não foi mais vista pela família. O marido dela, Ricardo Aparecido Vilardo de Souza, 30 anos, o ?Paulista?, também fugiu. Eles são suspeitos de participar do mesmo crime.