Marginais tornaram o centro de Curitiba e o Rebouças, locais perigosos para se divertir, na noite de sexta-feira. Duas pessoas foram mortas, nessas regiões, em horários próximos.

O primeiro caso ocorreu por volta das 23h40 na Rua Doutor Carlos de Carvalho, entre as Ruas Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco, centro. O rapaz, identificado por sua amásia como Enéias Felipe Bragado Silva, o ?Riquelme?, 28 anos, foi morto com um tiro no crânio, quando andava pela rua. Testemunhas viram três homens sair correndo de perto do corpo, um deles alto e claro, subindo a Carlos de Carvalho em direção ao Bigorrilho, porém ninguém conseguiu ver mais detalhes dos atiradores.

Quando a movimentação policial começou no local, um rapaz, que se identificou como Rafael, contou que sempre encontrava a vítima na Praça Osório. ?Não tinha o que fazer, a gente sempre ficava conversando à tarde. Ele não trabalha?, disse o rapaz.

?Ele não era nenhum santo?, disse Suelen dal Bosco, amásia de ?Riquelme?, a policiais militares e investigadores da Delegacia de Homicídios. Ela ainda disse que o rapaz traficava drogas, e confirmou que, recentemente, ele estava na cadeia. ?Não acho que seja acerto por tráfico de drogas. Ele esteve preso e, para sair da cadeia, pediu uma grana emprestada.

Nós estávamos trabalhando juntos para ele pagar a dívida?, disse a jovem, que morava há duas semanas com a vítima.

Vida bandida

Alguns parentes de ?Riquelme?, vieram de São Bento do Sul para liberar o corpo no Instituto Médico-Legal. Segundo o primo da vítima, Edivilson Antônio Braga Silva, mudou para Curitiba porque havia arrumado confusão em São Bento. ?A mãe dele ficou muito triste, mas já esperava que uma hora ou outra teria uma notícia ruim?, contou.

Invadem festa e matam

Foto: Anderson Tozato
Rodrigo se divertia entre amigos.

Quarenta minutos depois da morte de ?Riquelme?, outro crime ocorreu na Rua Pamphylo D?Assumção, quase esquina com a Rua Chile, dentro de um bar, no Rebouças. Testemunhas contaram que o estabelecimento estava em reformas, e dentro acontecia uma festa de aniversário particular. Havia cerca de 20 pessoas no local, quando três homens entraram, sem nada dizer, e deram entre 10 e 12 tiros contra Rodrigo Veloso, 24 anos. De acordo com o médico do Siate, o rapaz tombou morto com cerca de quatro ou cinco tiros, que lhe atingiram peito e a barriga.

Apesar de não saber descrever os três marginais, alguns freqüentadores da festa comentavam que os atiradores teriam fugido numa Ranger prateada, da qual conseguiram identificar o número 81 na placa.

O pai de Rodrigo, Sérgio Veloso, disse que não consegue achar um motivo que justifique a morte do filho. ?Ele era um bom rapaz, trabalhador, não tinha encrenca com ninguém. Acho que ele morreu por engano?, contou, enquanto liberava o corpo do filho no Instituto Médico-Legal. Rodrigo era pai de uma menina de 3 anos e estava separado atualmente.