Chuniti Kawamura
Josué nega ter molestado a filha.

Após passar seis anos abusando sexualmente da própria filha e ainda ser acusado de praticar vários assassinatos, inclusive o da ex-mulher, o caminhoneiro Josué Isidoro Monteiro, 41 anos, foi preso na tarde de sábado, em Pinhais.

Segundo o delegado José Mario Franco, titular da delegacia de Pinhais, a prisão aconteceu com a ajuda da filha violentada, que resolveu revelar à polícia todo o seu drama. Ela tinha 12 anos quando sofreu o primeiro assédio, conforme afirmou, e nunca denunciou o pai porque era ameaçada de morte. Porém, aos 18 anos, cansada da situação, a garota conversou com uma prima, que a encorajou a denunciar o crime.

A jovem procurou o 11.º Distrito Policial (CIC), oficializou a queixa e mudou-se para o norte do Paraná, fugindo do pai. Ao tomar conhecimento da denúncia, Josué se revoltou e, no dia 30 de dezembro, atirou contra seus familiares, matando o cunhado, Marins Teixeira Fonseca, 42, e ferindo gravemente sua sobrinha, Marina Isidoro Monteiro, 27, a mesma que incentivou a garota violentada a procurar a polícia.

Sabendo dos crimes cometidos pelo pai, a jovem decidiu ajudar a polícia a prendê-lo. No sábado, marcou um encontro com Josué no terminal de ônibus de Pinhais e informou à polícia. Josué apareceu armado com um revólver calibre 32, que ele confessou ser o mesmo usado para matar o cunhado. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma e negou os abusos contra a filha. Disse que se submeteria a exames para comprovar que não violentou a garota.

Morte

Na noite de 30 de dezembro aconteceu a confusão que terminou com a morte de Marins. Josué, revoltado pela sobrinha ter encorajado sua filha a denunciá-lo, disparou contra os parentes, e só não acertou mais um rapaz porque o revólver encrencou.

Ele também baleou Marina, que ficou internada em estado grave no Hospital do Trabalhador, mas sobreviveu. O crime ocorreu na Rua Padre João Rzemelka, 31, no Jardim Gabineto, na CIC, às 21h15.

O caminhoneiro confessou que atirou em Marins porque ele vinha lhe ?aporrinhando a vida?.

?Ele levava minha filha para tudo que é canto, viajava para a praia, sem a minha autorização, e ela deixava os irmãos (de 9 e 10 anos) sozinhos em casa. Daí atirei nele?, afirmou o detido.

Além de assumir o assassinato de seu cunhado, Josué ainda é acusado de matar a ex-companheira e executar um homem durante uma rodada de truco no bairro Ferraria, em Campo Largo. ?Matei ela porque colocava outros homens dentro de casa. E na Ferraria, não era uma rodada de truco, era um aniversário. Mas acho que foi um tal de Silmar que matou o cara?, afirmou Josué.