Foto: Anderson Tozato

Rendido pelos presos.

?Posso dizer que nasci de novo.? Com esta frase e mostrando hematomas pelos braços e um ferimento leve no pescoço, o carcereiro José Carlos Ferreira de Almeida, 40 anos, contou detalhes da fuga ocorrida às 15h30 de ontem, do xadrez do 11.º Distrito Policial (Cidade Industrial). Ele foi dominado por cinco presos, agredido e ameaçado de morte, quando fazia a retirada de alguns dos detentos que iriam receber visitas. O motim foi controlado por plantonistas que dispararam tiros de advertência para salvar o colega. Mesmo assim, o detento Luciano Albano dos Santos, 33, conseguiu escapar pelo solário, pulando o muro com o auxílio de uma ?escada humana? feita por seus companheiros de cela.

Com capacidade para 40 presos – ?apertados?, de acordo com o delegado Gerson Machado – a delegacia abriga 147 detentos, em condições lastimáveis. A superlotação, motivo de queixas de reclusos e de policiais, instiga fugas e rebeliões. Dois outros distritos policiais de Curitiba vivem situação semelhante. O 12.º DP (Santa Felicidade), cuja capacidade é para 30 detentos e ontem contava com 94, e 7.º DP (Vila Hauer), que está com a carceragem interditada, mas mesmo assim abriga 115 detentos num espaço projetado para 40. Na semana passada 50 reclusos do 7.º DP foram transferidos para outros centros de reclusão.