Mais uma vez a falta de efetivo nas delegacias colocou em risco a segurança da população. Seis presos fugiram, ontem pela manhã, da delegacia de Campo Magro, depois de render o escrivão e roubar uma arma que estava no plantão. O policial estava sozinho. Entre os foragidos estão Sandro Márcio da Silva, traficante, e Jorge Nei Dos Santos, homicida. Ambos são considerados bandidos perigosos.

A fuga aconteceu por volta das 11h30, quando o policial entrou na carceragem para pegar um preso que deveria ser ouvido. Ele foi rendido por Sandro, que lhe deu uma ?gravata?, e como não tinha ninguém para ajudá-lo, o policial ficou à mercê dos marginais. Só não fugiu quem não quis. Havia cerca de 20 presos na cela.

Os fugitivos fizeram um arrastão na delegacia, e Jorge roubou a arma que estava no plantão. Além de Sandro e Jorge fugiram Antônio Carlos Ribeiro, preso por roubo; Fernando Batista de Andrade, por roubo e formação de quadrilha; Douglas Reis, por furto; e Paulo César Castro Nascimento, cujo crime não foi informado. Destes, apenas Douglas foi recapturado.

A delegacia de Campo Magro conta apenas com o escrivão, como policial civil. Ela é gerida por um sargento da Polícia Militar e os outros funcionários são cedidos pela Prefeitura, que se revezam em plantões para atender a população e cuidar da carceragem. Quando o escrivão foi rendido o funcionário do plantão tinha saído para resolver um problema particular.

Cada vez menos policiais

O delegado Juliano Fonseca, titular da delegacia de Almirante Tamandaré, é o responsável pela de Campo Magro. Para piorar a situação, na última sexta-feira o superintende Edson Ayrton Mendes, de Almirante Tamandaré, foi afastado depois de dar entrevista sobre a falta de efetivo e dificuldades enfrentadas pelos quatro policiais que se revezam no plantão. Isto é, há apenas um policial por dia para atender a população e cuidar da carceragem. Os demais são funcionários da Prefeitura, como em Campo Magro.

O cargo de Mendes ainda está aberto e, enquanto isso, o policial afastado está sem função. Ele é obrigado a passar todos os dias no departamento de Recursos Humanos da Polícia Civil para bater o cartão ponto. ?Não fiz nada de errado, apenas falei a verdade sobre o caos que está a delegacia. Tanto briguei para trazer mais policiais que fui afastado e agora meu lugar está vago. Faltam policiais e eu estou aqui, sendo obrigado a bater ponto todo o dia sem trabalhar, simplesmente porque falei a verdade?, finalizou Mendes.