Um funcionário do Instituto Médico-Legal (IML) está afastado das funções há um mês, suspeito de desviar objetos de valor de corpos que passaram pela instituição. A denúncia foi feita em dezembro do ano passado por familiares, que estranharam a compensação de cheques do parente morto.

Imagens do sistema de segurança da agência bancária mostraram o servidor descontando os documentos que pertenciam ao pai de um juiz. Dívidas com colegas de trabalho também teriam sido pagas com as folhas do talão da vítima. O mesmo funcionário é investigado pelo desaparecimento de R$ 100,00 e de joias de outras vítimas. O servidor afastado já responde a 17 inquéritos e não deve voltar a atuar no IML. O sumiço dos objetos acontecia entre o recolhimento do corpo e a entrada no IML.

Rigor

O afastamento do funcionário foi há quatro semanas, por determinação do novo diretor-geral da Polícia Científica, Leon Grupenmacher, que promete ser rigoroso contra irregularidades cometidas por servidores. “Temos mais dois investigados. O servidor afastado foi colocado à disposição da Secretaria da Segurança Pública e não voltará a trabalhar no IML até que seja provada sua inocência em todos os inquéritos”, garantiu o diretor.

Os outros dois servidores investigados estão trabalhando em regime especial. As denúncias são de envolvimentos em delitos tão graves quanto o desvio de pertences de cadáveres. As informações não foram confirmadas pelo diretor, mas a investigações seriam sobre desvio de drogas deixadas para análise na Polícia Científica.

Problemas solucionados

O afastamento do funcionário do IML por furtos de pertences de cadáveres ocorre pouco tempo depois de o instituto se recuperar de outras denúncias graves. Em 2011, vários órgãos de imprensa denunciaram a situação deplorável das 18 sedes do IML em todo Estado, que já chegou a ter 150 corpo empilhados, nas câmaras frias da sede Curitiba.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) fez uma auditoria operacional nas unidades e constatou 43 irregularidades. A boa notícia é que uma parte delas foi solucionada e o restante está em vias de ganhar soluções, inclusive com a construção de novas sedes em Curitiba, Londrina, Maringá e Paranaguá.

Horror

Ocorriam com frequência, principalmente na capital, atrasos na emissão de laudos; demora no recolhimento de corpos; viaturas sem condições de rodagem; geladeiras e outros equipamentos estragados e obsoletos; chorume (restos da decomposição humana) saindo pelos corredores; falta de gerenciamento de resíduos químicos e do chorume; falta de higiene; documentos guardados junto às câmaras frias; instalações elétricas expostas; drogas apreendidas armazenadas em local sem controle de acesso; funcionários insatisfeitos e desmotivados; falta de funcionários.