Foto: Fábio Alexandre

Polícia acredita em disputa por ponto de droga.

O silêncio de Henrique de Lima, 14 anos, e a sua tentativa de sair do mundo das drogas foi mal interpretada pelos seus inimigos, que no início do mês passado mataram o seu irmão, Érik Stempler, 17 anos, com vários tiros, nas arquibancadas do Estádio João Derosso – do São Paulo Futebol Clube, no Xaxim.

Às 20h de ontem, Henrique foi assassinado com vários tiros, quando estava parado, dentro de um Chevette, no sinaleiro da Rua Filipinas, esquina com a Rua Sebastião Marcos Luiz, Cajuru.

Além dele, estavam no carro o motorista Diogo, 17, Wesley, 16, e Diego, 17. Todos tentaram fugir, mas foram baleados. Outro veículo, parado no sinal vermelho, foi atingido por uma bala e um menino, de 8 anos, foi ferido de raspão. Os feridos foram levados pelo Siate ao Hospital Cajuru.

Drogas

A morte dos irmãos podem estar ligadas à disputa por pontos de drogas entre as gangues da Vila Autódromo e da Vila Trindade. Segundo uma prima de Henrique, que não quis se identificar, depois da morte do irmão ele tentou mudar de vida. De acordo com a jovem, Henrique parou de ?mexer com drogas? por um tempo e seus inimigos pensaram que ele estaria tramando a vingança pelo assassinato de Érik.

O cabo Silva Filho, do 20.º Batalhão de Polícia Militar, disse que tanto Henrique quanto os outros adolescentes feridos são conhecidos da polícia por tráfico de entorpecentes. ?A disputa entre as duas vilas é muito forte, nesse homicídio foram dados muitos tiros de pistolas calibre 380 e nove milímetros?, comentou. Diogo foi ferido com dois tiros nas pernas e um no braço, Wesley e Diego estavam na calçada, próximo ao carro, e cada um levou quatro tiros.

Corsa

Segundo o policial, algumas pessoas viram um Corsa verde fugindo em alta velocidade. ?Já consultamos a placa do carro e o proprietário é de Campina Grande do Sul?, completou. O veículo não tem queixa de furto ou roubo.

O investigador Nei, da Delegacia de Homicídios, ouviu algumas testemunhas, inclusive familiares de Henrique. ?As pessoas sabem que se envolver com o tráfico só tem um caminho, a morte. O garoto tentou se livrar, mas não teve tempo?, disse o investigador.