Dois delegados e um investigador da Polícia Civil foram presos no início da manhã desta quarta-feira (2), na Operação Vortex, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A investigação, iniciada há mais de oito meses, apura denúncias de corrupção na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) e na Divisão de Crimes contra o Patrimônio (DCCP).

Apesar de as investigações sobre corrupção, os delegados Gerson Machado (titular do 6.º Distrito Policial), Luiz Carlos de Oliveira (chefe da DCCP) e o investigador Aleardo Righetto (6.º DP) foram presos por porte ilegal de arma de fogo e munição de uso restrito. Na casa de Machado, foram recolhidos um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 45. Ele disse ter sido presente de um amigo e são utilizadas há mais de 20 anos no serviço policial.

Na residência de Luiz Carlos, também membro do Conselho da Polícia Civil, foram apreendidos R$ 98 mil dólares. O dinheiro, segundo o coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, não tem declaração fiscal. O delegado alegou que o dinheiro foi obtido em jogos em cassinos.

Mandados

Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, três deles na DFRV, no 6.º DP (onde trabalham investigadores que já estiveram na DFRV), e na DCCP. Também foram cumpridos mandados em residências e empresas de pessoas ligadas a desmanches de carros.

“A finalidade é pegar documentos, dinheiro e computadores que possam comprovar a corrupção. Já temos provas substanciais”, afirma Batisti. “A investigação pretende descobrir se estas autoridades estavam recebendo para promover esquema de roubo e desmanche de carros em vez de combatê-los”.

Entre os investigados está o empresário Milton Stigler, que foi denunciado ao Gaeco pelo próprio delegado Machado, como mandante de um grande esquema de roubo e receptação de carros para desmanche.

Armas

De acordo com o delegado Alfredo Dib Júnior, da Delegacia de Explosivos Armas e Munições, qualquer pessoa pode ter quantas armas quiser, entretanto, é necessário o registro. “Não há limites, desde que haja o registro junto à Polícia Federal. Qualquer um que for pego com arma ilegal está sujeito a ser preso”, explicou.

Investigação continua

Delegados e investigadores que passaram pela DFRV serão ouvidos nesta semana. Há suspeitas que, por vários anos, as equipes cobravam dinheiro para “fazer vistas grossas” e interferir nas investigações, para impedir a produção de provas contra crimes relacionados a furtos, roubos e receptação de veículos. Este dinheiro seria dividido entre investigadores, os delegados da DFRV e o titular da DCCP, delegado Luiz Carlos, segundo o Gaeco.

Os dois delegados e o investigador continuam presos sob custódia da Corregedoria da Polícia Civil e, de acordo com Batisti, não cabe fiança.

Chefias

Segundo a assessoria da Polícia Civil, o 6.º DP passou a ser chefiado pelo delegado Geraldo Celezinski, que acumulará a função de chefe do 5.º DP. O cargo de Luiz Carlos na DCCP, deve ficar vago por enquanto.

Três expulsões no interior

Roberto Ramires, presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia (Sipol), esteve no Gaeco para prestar apoio para o investigador Righetto. Ele lembrou que, nesta semana, três investigadores do interior do Paraná foram expulsos da corporação acusados de extorsão, através de um julgamento realizado por integrantes do Conselho da Polícia Civil, da qual faria parte Luiz Carlos de Oliveira.

“Quem julgou foi um delegado que está sendo ouvido em razão de uma busca e apreensão na casa dele. É ruim para toda a comunidade policial quando tem pessoas do Conselho da Polícia Civil que são investigadas. Todo mundo quer um julgam,ento justo, por uma pessoa de moral mais elevada que ela”, afirma.

Luiz Carlos já havia sido denunciado pelo Gaeco em outro processo, que investigava uso indevido de viaturas para atividades particulares.