A decisão se o ex-deputado Luiz Fernando Carli Filho irá ou não a júri popular deve demorar. Na manhã de ontem, terminaram as audiências de instrução e julgamento, mas ainda oito testemunhas, que não estão no Paraná, devem ser ouvidas por carta precatória.

O juiz que preside o caso, Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, também pode pedir que Carli Filho seja ouvido, e os advogados de defesa, a audiência de seis testemunhas que não compareceram ao Tribunal do Júri.

Desde o início da audiência, na quinta-feira, foram ouvidas 19 pessoas. Carli Filho se envolveu em acidente, em 7 de maio, e matou Gilmar Rafael Yared, 26 anos, e Caio Murilo de Almeida, 20.

Ontem, três testemunhas prestaram depoimento. O garçom Alex Nascimento Silva, do restaurante onde Carli Filho jantou, antes do acidente, confirmou que ele estava embriagado e não tinha condições de dirigir quando deixou o estabelecimento.

Defesa

Já de defesa, foram ouvidos o neurocirurgião do Hospital Evangélico, José Antônio Maingue, e o chefe de gabinete Heitor Francisco Isidoro, que trabalha com o pai do ex-deputado, o prefeito de Guarapuava, Fernando Ribas Carli.

O médico informou que Carli Filho chegou ao hospital com trauma craniano e não soube dizer se havia sinais de embriaguez. “Acredito que o que aconteceu foi uma fatalidade, a qual todos estão sujeitos”, declarou Heitor Francisco.

Yuri Cunha, que falaria tanto pelo lado da defesa quanto da acusação, não compareceu e foi dispensado pelo Ministério Público. Ele presenciou o acidente e seu depoimento era tido como bastante importante. Porém, o juiz considerou que Yuri pode ser ouvido, caso se decida pelo júri popular.

Imagens sob suspeita

O juiz Avelar confirmou que permitiu ao advogado da família de Gilmar Rafael Yared, Elias Mattar Assad, ter acesso às imagens do acidente, registradas pelas câmeras de um posto de gasolina. Assad vai verificar se houve fraudes nas imagens.

Como na quinta-feira, a mãe de Gilmar, Cristiane Yared, e a de Carlos Murilo, Vera Almeida, aguardaram do lado de fora da sala onde ocorriam os depoimentos.

“Vemos uma Justiça que, em nosso caso, não está sendo morosa. Um acidente de trânsito nas proporções do que matou meu filho não pode ser considerado uma fatalidade”, disse Cristiane. Vera aguardava na companhia da filha, Gislaine Almeida. Segundo a moça os depoimentos comprovaram a embriaguez do ex-deputado e que ele transitava em alta velocidade.