Adenilson: premeditação.

“Ele não matou meu pai por maldade. Meu namorado é uma pessoa maravilhosa e sempre me dá muito carinho”. Esta foi uma das declarações feitas pela jovem de 17 anos, na Delegacia de Almirante Tamandaré, em defesa do namorado Adenilson Ribeiro dos Santos, 18. Ele foi detido na noite de quarta-feira, um dia depois de cometer o brutal assassinato, no qual dilacerou a cabeça de Joaquim Martins de Almeida, 41, com vários golpes de facão. O motivo da fúria do jovem seria o zelo excessivo de Joaquim pela filha, uma vez que o homem não admitia o relacionamento dela com Adenilson.

De acordo com o superintendente Leodir, a prisão do assassino aconteceu em virtude das informações passadas pelos vizinhos da vítima, que viram Adenilson amolar o facão na tarde do crime. Os investigadores solicitaram apoio aos policiais militares, que o prenderam em sua casa, situada na mesma rua onde Joaquim morava. “Os PMs já sabiam quem era o rapaz, pois há cerca de um mês eles tinham ido na mesma rua para apartar uma discussão entre os dois”, contou Leodir.

Na manhã de ontem, Adenilson levou os investigadores até o local do crime e lá confessou ter matado o pai da namorada porque estava sendo ameaçado por ele. Os investigadores encontraram o facão,que foi encaminhada à perícia junto com a bicicleta da vítima, já que os dois objetos estavam manchados de sangue. “Ele me ameaçava e se eu não o matasse era eu quem iria morrer”, defendeu-se Adenilson.

Filha

O pivô do crime, a filha de Joaquim, compareceu ontem na delegacia e foi ouvida pelos policiais. Demonstrando calma, frieza e ingenuidade, a garota contou que seu pai proibia o namoro com Adenilson porque ele não trabalhava, e por isso não seria o rapaz ideal para ela. Sem seguir os conselhos de Joaquim, a adolescente vinha insistindo na relação por quase um ano, o que teria enfurecido o pai. “Uma vez meu pai me pegou conversando com meu namorado e me bateu com cinta. Além disso, ele ameaçava matar minha mãe porque ela aprovava meu namoro. Meu pai nunca foi bom para mim, já meu namorado é a melhor pessoa do mundo”, disse a garota.

Quando questionada se seria capaz de perdoar o rapaz, a jovem esboçou um sorriso e respondeu: “Ele nunca me fez chorar e sei que não fez isso por maldade, apenas para defender. Adenilson é carinhoso comigo, me trata muito bem e por isso eu o perdôo”, finalizou a jovem.

Segundo o superintendente, na noite do crime Adenilson ficou esperando Joaquim voltar do trabalho para abordá-lo com o facão. A crueldade foi tamanha, que a vítima correu para uma casa iluminada que se destacava no meio da escuridão do lugar ermo, porém encontrou o portão fechado. Os gritos de socorro de Joaquim chamaram a atenção das moradoras do local, que com um bambu com cerca de cinco metros tentavam empurrar o assassino através da tela que cerca a propriedade. Joaquim ainda teria tentado se defender com sua bicicleta, mas a crueldade de Adenilson foi maior que seus esforços. Depois de matá-lo, o assassino foi para casa e, no dia seguinte, compareceu no velório de Joaquim, sem que ninguém soubesse que ele era o autor do crime.