Alberto Melnechuky
Valter não tem antecedente criminal, mas foi preso com cocaína de alto grau de pureza.

A Polícia Federal, em conjunto com o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial -Tigre (da Polícia Civil), prendeu no final da tarde de ontem o curitibano Valter de Oliveira Júnior, 23 anos, um dos envolvidos com a quadrilha que seqüestrou o piloto José Melo Viana, no último dia 4 de agosto. Os seqüestradores tem ligação com o Primeiro Comando da Capital -PCC, organização criminosa que surgiu há alguns anos nos presídios paulistas. Um mês e meio antes do seqüestro, Valter deu guarida ao grupo que investigava a vida do piloto, em uma casa que alugou em Pinhais, local onde foi preso sozinho.

Na residência foram encontrados dois quilos de maconha e meio quilo de cocaína com alto grau de pureza, além de uma balança de precisão e uma balaclava (capuz que deixa apenas os olhos à mostra). "Um perito analisou a droga, e há muito tempo não encontrávamos algo com essa pureza", comentou Fernando Francischini, delegado da Polícia Federal, mostrando que a casa funcionava como ponto de tráfico. Também foi apreendido um caderno com o "estatuto do PCC", confirmando seu envolvimento com o comando paulista.

A polícia investiga agora até onde vai o envolvimento de Valter com o seqüestro, para poder determinar em que artigos da Lei ele será autuado. A princípio, pelas drogas encontradas na casa, ele responderá por tráfico de entorpecentes. A partir de Valter, o delegado Riad Farhat, do Tigre, diz que pretende chegar ao restante da quadrilha.

A prisão de Valter, que não tem antecedente criminal, e que prestava favor ao PCC dentro de sua própria residência, intriga a polícia, que irá investigar as ramificações do PCC no Paraná. Farhat acredita que Valter é uma aquisição recente do comando, e que ele poderá esclarecer informações que levem a alguns braços do PCC no Estado.

Seqüestro

Após dois meses pesquisando a vida do piloto, os seqüestradores o capturaram quando ele levava a filha para a escola. Nessa mesma data, 4 de agosto, a família do piloto também foi seqüestrada e mantida em cativeiro em uma casa na Rua Doutor Simão Kossobudski, no Boqueirão. O que a quadrilha desejava é que Viana, dono de uma empresa de táxi aéreo na capital e experiente piloto de aeronaves, conduzisse um helicóptero até o presídio de Mirandópolis (SP), onde um preso, integrante do PCC, seria resgatado. Para facilitar o resgate, uma rebelião foi iniciada no presídio, controlada horas depois. Apesar de a polícia ter algumas suspeitas, o preso que seria resgatado não foi identificado. Em Curitiba, o cativeiro foi estourado no domingo, 7 de agosto, mesma data da rebelião em Mirandópolis.

No cativeiro, mais quatro prisões

No domingo, 7 de agosto, dia em policiais do Grupo Tigre estouraram o cativeiro da família de José Melo Viana, quatro integrantes da quadrilha foram presos. Edimar Alves, 37 anos, o "Fininho", um dos chefes de uma facção do PCC, a mulher dele, Ana Lucia da Paixão, 36, que inicialmente forneceu outros dois nomes falsos à polícia; Elondri Marcelo Santos Boza, 24, o "Cabelo", e Alessandro de Jesus Alves, 19, conhecido como "Colorau". Eles eram os responsáveis pelo cativeiro. Heloísa, mulher do piloto José Melo Viana, 51 anos, a filha caçula do casal, de 11 anos, e Maria de Lurdes, empregada da família, foram mantidas como reféns em uma casa no Boqueirão.