Jeferson Bonete Alves, de 25 anos, acusado como um dos autores do duplo homicídio contra o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar João Antônio Pazinatto, 56 anos, e a acompanhante Débora Cristina Zavaski, de 30, em outubro de 2012, foi absolvido. O julgamento aconteceu nesta terça-feira (15), em Curitiba.

Segundo o advogado que defendeu Jeferson, a decisão dos jurados foi tomada principalmente por não haver provas suficientes para culpá-lo. “A investigação foi uma das piores que eu já trabalhei e isso eu lamento, porque é um trabalho do Estado, que é pago por nós, e que não foi bem feito”, disse Claudio Dalledone Junior.

Os jurados, em votação, reconheceram que realmente o crime aconteceu, mas acreditaram não ter sido o rapaz o autor dos fatos. Com base na decisão, Jeferson, que estava há um ano e sete meses preso, foi absolvido e o juiz determinou que fosse colocado em liberdade. 

O irmão de Jeferson, Maikon Rubens Bonete Alves, de 26 anos, também foi julgado e inocentado. “O julgamento dele aconteceu no mês de março”, disse o advogado.

O crime

O tenente-coronel da reserva e a acompanhante, que era usuária de drogas, estavam dentro de um carro, na Rua Ada Macaggi, no Bairro Alto, quando foram executados. Segundo as investigações, o carro em que eles estavam foi atingido pelos tiros, disparados por ocupantes de um Golf preto, que emparelhou.

Na época do crime, o delegado Rubens Recalcatti, no comando da Delegacia de Homicídios, identificou Maikon e Jeferson como os autores do crime. Os dois foram ouvidos, indiciados e teriam fugido para Santa Catarina, onde Maikon foi preso com a ajuda da polícia de lá, mas não ficou detido. Já Jeferson esteve preso até o julgamento.

Para Recalcatti, as investigações coletaram as informações que foram possíveis. “Agora, o advogado usa dos argumentos que ele tem para fazer a defesa do cliente dele. Se foi inocentado, a polícia fez o papel que pôde fazer, com as provas que tinha”, explicou.

Sobre o fato de serem ou não inocentes, o delegado que comandou as investigações se defendeu. “A inocência deles é uma opinião tomada por um conselho de jurados, que talvez não receberam as informações corretas”. Recalcatti preferiu não comentar a respeito do que foi dito sobre o advogado sobre as falhas nas investigações.

Efeito dominó

A morte do coronel e da mulher teve consequências, na época do crime. O pai dos suspeitos do duplo assassinato, Márcio Alves, de 57 anos, foi assassinado a tiros de fuzil em Pinhais, em maio de 2013. Na época, algumas testemunhas garantiam que o assassino usava farda da PM.

Dois dias depois, o irmão de criação de Maikon e Jefferson, Marco Aurélio Machado, 35 anos, o “Marquinhos”, também foi assassinado na Rua Adda Macaggi, mesmo local onde o coronel e a acompanhante foram mortos. Ele morava em frente ao local onde aconteceu o duplo homicídio.

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