Um bandido conseguiu enganar familiares de dois presos da delegacia de São José dos Pinhais, que pagaram R$ 2.500 de fianças que não existiam. Antes, o homem enganou o agente de cadeia pública da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, que trabalha na delegacia. Ele se identificou como promotor do Ministério Público, que trabalha no mutirão carcerário e queria dados dos parentes dos presos para liberar 30 dos 51 homens detidos da delegacia.

Com telefones e endereços em mãos, o golpista entrou em contato com as famílias e pediu entre R$ 1 mil e R$ 1.500 para liberar os presos. Até que o delegado Gil Tesseroli descobrisse o golpe, duas famílias foram lesadas em menos de quatro horas. “Dois advogados me telefonaram, perguntando sobre mutirão carcerário e descobrimos o golpe. Ligamos para as famílias avisando sobre o estelionatário”, contou o delegado.

Depósito

Uma das vítimas pagou R$ 1 mil e só se deu conta que tinha sido enganada quando entregou o comprovante do depósito ao delegado e foi informada que não havia fiança alguma. “Ele me orientou para fazer o depósito até as 16h, disse que era o doutor Gil e que o comprovante tinha que ser apresentado na delegacia”, descreveu o parente.

Para o delegado, esta pode ser uma nova modalidade de golpe aplicada por detentos de presídios, que também usam o falso sequestro relâmpago para tirar dinheiro das vítimas. O parente de preso nunca pode fazer qualquer depósito sem a guia com nome do beneficiário e do órgão que expediu o documento. “Assim como a inexperiência do agente, que não agiu de má fé, contribuiu para o golpe dar certo o familiar que fez o depósito sem se certificar de nada”, comentou o delegado.

Novatos

O agente de cadeia pública que passou os dados ao golpista está no quadro de novos contratados da Seju, medida que gerou ação no Tribunal de Justiça, movida pelos auxiliares de carceragem que atuavam nas cadeias desde 2006, em regime temporário e que foram substituídos pelos novatos. Os agentes alertavam para possíveis problemas que a falta de experiência poderia gerar.