A Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público iniciou as investigações para apurar a origem dos 180 mil dólares que estavam guardados no apartamento do ex-superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião de Mello e Silva, até meados do ano passado.

Apesar de convocado duas vezes pela Justiça para exibir comprovantes da compra legal do dinheiro americano, ele não atendeu às solicitações. O descaso fez com que o Ministério Público determinasse à promotoria a abertura de um inquérito.

Por enquanto a promotoria está “tomando pé” da situação e pediu informações a respeito dos procedimentos anteriores do MP, para depois direcionar as diligências necessárias.

Foi o próprio Eduardo quem revelou à polícia a existência dos dólares, ao registrar queixa no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), acusando sua ex-empregada doméstica de se apoderar do dinheiro, que estava guardado em uma mala, num compartimento secreto de seu guarda-roupa.

A mulher, que trabalhou durante quatro anos no apartamento do Batel, foi interrogada e confessou o furto, revelando que gastou a quantia (cerca de R$ 360 mil) na compra de bens móveis e imóveis.

Danos

Indiciada em inquérito, ela comprometeu-se a devolver o dinheiro, transferindo imóveis comprados em Curitiba, na Região Metropolitana e no Litoral, para o nome de Eduardo Requião, assumindo inclusive os custos com as transferências nos cartório. Na devolução, o valor dos imóveis somou R$ 565 mil, aceitos por Eduardo. O valor, que ultrapassou a quantia furtada, teria sido pago a título de “danos morais”.

Embora a polícia não tenha questionado a origem dos dólares nem exigido documentação de compra, a promotora que atuou no caso pediu comprovação. O mesmo foi feito pela juíza da 5.ª Vara Criminal, mas ambas ficaram sem resposta.